quinta-feira, outubro 26, 2006

A NOITE DE SÁBADO JÁ ERA!


Suspeito que uma certa colega, cada vez que eu viajo de férias, vai ao seu baú secreto, tira de lá o seu bonequinho de vudo e crava nele um alfinete. De imediato as minhas férias começam a correr mal. Foi assim no ano passado, foi assim no México e tive, agora, que lhe enviar um SMS a pedir para parar de cotucar o bonequinho. Depois tudo voltou ao normal.
Chegamos ao aeroporto de Sevilha com a devida antecedência. Abriu o balcão de check-in, aguardamos a nossa vez, até que começou a passar no ecrã a informação que o voo tinha um atraso previsto de 4 longas horas! Quatro horas!? Caramba! Faltavam mais de 6 horas para sairmos daquele lugar enfadonho. Com um voucher para jantar Almôndegas às 10 horas, somamos 4 mais 2 e calculamos que a noite de Sábado em Puerto de la Cruz já era uma miragem. O passarão tinha avariado e a Spanair ia tentar substitui-lo por outro evitando, assim, um atraso ainda maior.
Que fazer durante aquela eternidade? Olhei em redor: Havia muito espanhol interessante, mas não me pareceu que algum tivesse interessado em entreter-me até à 1 da manhã. O Shwasy também estava sem ideias. Fui tirar da mochila o livro que tinha trazido, se por azar houvessem tempos mortos imprevistos, e...? Tinha ficado em casa! E agora? Anos atrás, em Frankfurt, tinha arranjado solução para um atraso semelhante, mas em Sevilha não há sex shops como nos aeroportos alemães.
Deambulando pela livraria tive esperança de encontrar qualquer coisa para ler. Não, não havia nada. Alguns autores portugueses, mas todos traduzidos. A literatura de aeroporto não foge muito aos temas de aventuras, ficção histórica, policiais... nada de sexo? Que fazer? Não dava para ficar a galar os espanhois guapos durante tanto tempo sem me arriscar a ficar com o nariz esborrachado. Passar horas a fio sem nada para comer com os olhos ou arriscar um livro na língua de Cervantes? Arrisquei. Tinha deixado em casa«O último Papa» de Luís Miguel Rocha; lá estava ele traduzido em castelhano, também o «Codex 632» de José Rodrigues dos Santos que tinha optado por não levar. Entre «O Código Da Vinci» e «A Conspiração» estava o livro de um autor desconhecido: César Vidal. O título chamou a minha atenção devido ao meu passado de seminarista: «Pablo, el judio de Tarso». Para mim não há meio termo: ou sexo ou religião, mas sem conflitos de consciência. Pouco a pouco lá fui começando a soletrar o espanhol que só estou habituado a falar, não a ler. Vi que a coisa funcionava e até se tornou estimulante perceber as semelhanças e diferenças para o português ali escarrapachadas naquelas páginas.
Não ia chegar a tempo de curtir a noite na discoteca Despanto, que devia estar apinhada de canários sexys e famintos, porém sempre tinha mais que fazer que olhar para as malas e cofres que caminhavam pelo terminal enquanto a Spanir colava as asas do Airbus.
As almôndegas foram servidas com molho Bostick e pouco depois anunciavam que o embarque seria à meia-noite. Menos mal! Não havia desbunda nessa noite, mas por volta das 3.30/ 4.00 o mais tardar, estaríamos no hotel. Assim foi. Contra avarias não há argumentos.

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro amigo,

César Vidal, um autor desconhecido?

http://es.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9sar_Vidal

DE CORPO E ALMA disse...

Meu caro, felizmente não tenho a pretensão de conhecer todos os escritores do mundo. Um professor está mais próximo dessa obrigação, eu leio por curiosidade e por prazer não por obrigação. Beijinhos.