sexta-feira, outubro 27, 2006

LEÕES, GOLFINHOS E COZINHEIROS GAY


Vou fazer uma pausa no relato das nossas férias para referir dois temas que me surgiram por acaso. Já vejo a vossa expressão de alívio a pensar: Ufa! Mas este gajo não percebe que as férias dele não interEssam nem ao menino Jesus! Pois então aqui vai algo diferente para vos manter como leitores deste blog:

Li hoje que o Museu de História Natural de Oslo, na Noruega tem em exibição uma exposição intitulada «Contra Natura». A exposição que estará patente até ao próximo Verão, (para que for para aqueles lados) pretende questionar a premissa de que a homossexualidade não é natural. A exposição recorre a fotografias e reconstituições para dar exemplos de comportamentos homossexuais, em ambos os géneros, entre uma enorme diversidade de espécies. «Desde mamíferos a caranguejos e vermes. Esse comportamento pode ser raro nalguns animais, mas outros praticam-no durante toda a vida», diz Petter Boeckmann, consultor académico da exposição. «A homossexualidade é não só comum, como essencial na vida de numerosas espécies». Entre golfinhos e baleias assassinas a homossexualidade é muito comum e as ligações entre machos e fêmeas é efémera, mas entre machos pode durar anos.
A exposição tem tido muitos visitantes, mas não deixou de causar muitas críticas. Um comentador americano afirmou que é um exemplo da «propaganda a invadir o mundo científico», enquanto um pastor luterano norueguês foi mais longe e desejou que os responsáveis pela mostra «ardessem no inferno». Mas a melhor foi de outro pastor Pentecostal que afirmou que o dinheiro dos contribuintes seria melhor gasto a ajudar os animais a corrigir «as suas perversões e desvios».

O outro tema ocorreu-me ontem enquanto observava mais um episódio daquela maravilhosa série da SIC que dá pelo nome de «Jura». A qualidade do trabalho que nos é apresentado pode aferir-se até no desempenho dos actores que encarnam as personagens gays, sim os cozinheiros do restaurante. Havia um primeiro cozinheiro que compôs o boneco com os maneirismos e trejeitos típicos do estereotipo do homossexual masculino enraizado na cultura portuguesa. Até aí tudo bem. Eles andam aí e não disfarçam e existem tal qual eram retratados naquele personagem. Mas agora aquele cozinheiro deu lugar a outro que pelo visual tentaria vestir a pele do gay discreto, másculo até, sem comportamentos afectados pela sexualidade, até barba tinha! Era o personagem ideal para desmistificar o preconceito de que os gays são todos efeminados. Surpresa quando me apercebo que o actor que lhe dá corpo não consegue fugir ao mesmo tipo de código gestual e de linguagem que o anterior. Bem, ou naquela novela se desconhece a realidade do mundo dos homossexuais ou então é deliberado e quer-se apenas aprofundar o estereotipo da bicha frágil e louca que também é ajudado por um personagem que surgiu agora naquela outra pérola da televisão de Pinto Balsemão que é a Floribela.

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