
O Domingo entrou pela janela já era horas de almoço, como diria a minha mãe. O estômago denunciava que a uma da tarde já passara. Levaram-nos para um hotel, sobranceiro ao mar, mas a quilómetros do centro da cidade. Infâmia! Nós queríamos ficar na avenida principal e enfiaram-nos naquele fim de mundo! Não tivemos outro remédio que chamar um táxi. 7 Euros depois estávamos no coração da cidade que também parecia não ter despertado há muito.
- Dois cafés por favor. Pequenos, expresso...
Os cafés que nos chegaram à mesa nem eram pequenos, nem expressos, mas em Espanha os cafés são mesmo assim: intragáveis, grandes e acompanhados de uma cucharra que poderia servir também para comer sopa! Se não foi a cafeína, foi o sabor horrível dos cafés que nos acordou. Quando abrimos os olhos chegavam 3 amigos à mesa em frente com um «chien» pela coleira muito parecido com o dono que cuidava dele. Pouco depois os nossos olhos bateram de frente com os deles e pedimos o almoço, já não lembro o que foi. Não tenho dúvidas que pelo menos um deles estava com fome...
O vale de Orotava tem uma paisagem deslumbrante, ideal para lua-de-mel de casais apaixonados. A cidade sobe em anfiteatro até junto das escarpas das montanhas que delimitam o vale. O Teide avista-se de quase todos os locais da ilha. Veio o almoço. Já não lembro o que foi o de ontem quanto mais o desse dia. Lembro o café, mais uma vez. Parecia egípcio com tudo o que de negativo isso significa. Na Europa só se sabe fazer bom café em Itália e em Portugal? Na Alemanha também, quando o dono é imigrante italiano, verdade seja dita.
Olhamos a cidade em busca de atracções para os próximos dias tanto de dia como de noite. Não foi difícil. Eu havia estado por lá já há dez anos, mas ainda recordava os lugares onde me diverti naqueles dias. A cidade não tinha mudado assim tanto. A cidade foi-se desenhando à medida dos turistas: um enorme calçadão junto ao mar, a enorme piscina de água salgada, a praia esticada tanto quanto foi possível, os casinos, etç.
A praia estava diferente, mas não atraía muitos mais banhistas que noutros tempos e à noite o uso era o mesmo. Turistas solitários ou aos pares passeando calmamente ao encontro do desconhecido que por lá olhava o mar ou meditava na vida... feita a investigação voltamos ao hotel para jantar, não sem antes passarmos pelo jardim onde, na primeira visita encontrei um canário de asas caídas. Cuidei dele nos restantes dias de férias e parece que as asas recuperaram as suas funções e voou para outras paragens. Feita a visita ao local do crime deixamos tudo alinhavado para voltar por volta da meia-noite.
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