
O mundo começa a sentir-se desconfortável com a subida de tom entre a cultura Judaico-cristã e a Muçulmana. Pouco a pouco avolumam-se os sintomas de desrespeito mutuo e os insultos de parte a parte tomam proporções alarmantes. De um lado o fervor religioso intolerante que não mede as consequências das suas acções para garantir a integridade da sua fé e a exaltação do orgulho árabe: os actos terroristas, a violência contra os interesses ocidentais, a intolerância religiosa, os ressentimentos antigos de um lado; do outro lado a arrogância da superioridade da democracia e cultura que produzem actos de provocação e desrespeito pelos valores de uma civilização inteira, que considera atrasada e retrógrada.
A polémica que degenerou em violência desmesurada, com a publicação das famosas caricaturas, é mais um passo no sentido do confronto que parece desenhar-se no futuro entre as duas civilizações. Já existem ressentimentos de parte a parte que tornam qualquer nova fagulha num fogo que se pode tornar incontrolável. O 11 de Setembro, o 11 de Março, o 7 de Julho estão bem gravados na memória dos ocidentais. As celebrações a que deram lugar, nalgumas franjas das sociedades muçulmanas, não passaram despercebidas e indignaram o ocidente. O estado de Israel é uma estaca espetada no coração do mundo árabe. A invasão de território árabe por parte do infiel, para garantir o acesso ao petróleo, ninguém os convence que não foi essa a razão principal para a 1ª e 2ª guerra do Golfo, continua ferida sangrenta por sarar.
Perante ressentimentos de ambos os lados da barricada qualquer provocação é motivo para explosões, desproporcionadas, de hostilidade por parte do povo de Maomé ou provocações cínicas e cirurgicas das hostes cristãs. O povo muçulmano está ferido no seu orgulho. As condições em que sobrevive, a ausência de esperança num futuro digno, faz com que tenham na religião o suporte base para a sua existência. Atacar o profeta é atacar o que mais prezam no mundo; é atacar a sua própria razão de existir. E o ocidente tem sabido fazê-lo: desrespeitando os seus valores religiosos, pondo em causa as regras básicas da sua cultura, menosprezando os seus costumes, ridicularizando a sua fé.
No mundo globalizado o que falamos em nossa casa ouve-se na casa do vizinho. Se o conhecimento do outro, normalmente, levaria à compreensão e ao respeito mutuo; entre cruzados e infiéis parece reabrir chagas já curadas e despoletar outras a cada nova desavença. Passo a passo podemos estar a caminhar para posições extremadas e irreconciliáveis, que em último caso, podem levar ao confronto bélico entre os vizinhos do Mediterrâneo.
O governo iraniano, que tem assumido a liderança, parece estar a apostar nesse futuro e por isso quer estar preparado para lutar de igual para igual com o inimigo. O seu programa nuclear parece não deixar dúvidas, do que esta em causa; só assim se compreende que o Mundo o queira parar a todo o custo. Um governo teocrático, liderado por fanáticos religiosos, não pretende desenvolver tecnologia nuclear para fazer bombinhas de Carnaval! Sendo um país que não tem escassez de recursos energéticos para que deseja tanto o nuclear.Do outro lado há sinais idênticos. Georg W. Bush acaba de apresentar o orçamento do estado americano, para o próximo ano, que revela um crescimento anormal dos gastos militares. Não são indícios de paz que se anunciam, quando se reduz os gastos na educação e na saúde para aumentar a produção de armamento! Estamos nos preliminares de uma guerra generalizada ou vamos voltar aos tempos da guerra fria, agora com nova moldura geográfica? Os campos estão a extremar-se. No campo islâmico a moderação e tolerância ao que vem do ocidente não existe. E o Ocidente tem uma atitude tolerante e moderada para os ventos que sobram dos lados do Oriente? A corda estica, estica; vai partir ou alguém vai ceder!?
P.S. O maior jornal iraqniano acaba de lançar um concurso de caricaturas a publicar nas suas páginas durante as próximas semanas. Adivinhem o tema?
Não podia ser outro: O holocausto do povo judeu.
Bingo!!!
O presidente iraniano diz que tal é uma fraude histórica, nunca aconteceu!
Sem comentários:
Enviar um comentário