quarta-feira, novembro 02, 2005

O ESTIGMA DOS RELACIONAMENTOS GAY

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A comunidade gay sofre de um complexo interno e de um estigma externo semelhantes: as relações homossexuais masculinos são muito promíscuas. Os relacionamentos homossexuais são, normalmente, pouco duradouros, cheios de crises, de «facadas no matrimónio» e encarados com pouca seriedade pelos próprios intervenientes! Vistos do exterior, as ligações entre homens não passam disso mesmo: ligações que se desligam com a facilidade de quem desliga a ignição de um carro depois de uma viagem, mais ou menos, alucinante.
É universalmente reconhecida a diferença comportamental, no que diz respeito ao sexo, entre o homem e a mulher. A facilidade, com que uma grande percentagem de homens, está disponível para novas experiências sexuais mais ou menos passageiras ou simplesmente aventureiras é imenso. O hetero, só não tem mais aventuras sexuais porque as oportunidades não são tão frequentes como entre os homo. Claro que existem muitos homens que não procuram aventuras sexuais, mas é sobretudo uma questão de honestidade e responsabilidade pessoal. O casamento, os filhos, os bens, a família, a religião, as consequências legais, com fantasma do divórcio à cabeça, são uma barreira que muitos não ousam quebrar. Por outro lado o comportamento de garanhão é bem visto entre os homens; é sinal de masculinidade, de virilidade, é de bem actuar como macho! O ideal masculino parece ser, sem dúvida, a poligamia. Não é por acaso que o harém dos sultões e das estórias da Sherazad nas 1001 noites de Bagdad povôa o imaginário masculino e ter na cama duas ou mais mulheres faz parte das mais populares fantasias masculinas.
Um homossexual é por natureza um homem disponível, sem pressão social que lhe exija comportamentos monogâmicos, não tem património ameaçado por uma potêncial quebra de fidelidade, não tem uma família a preservar, não tem um processo legal pela frente caso seja infiel ao seu companheiro, basta separar os trapinhos e pouco tempo depois estão ambos disponíveis para nova aventura. O gay tem, na prática, um comportamento mais de acordo com a natureza masculina. O macho procura, instintivamente garantir a perpetuação dos seus genes e para ele a melhor forma de o conseguir é espalha-los pelo maior número de receptores possível. Claro que este comportamento é institivo e não racional senão seria desprovido de sentido, já que falamos de relações homossexuais.
Alongar o relacionamento enquanto é possível tem sido tarefa de muitos casais masculinos na tentativa de afugentar o estigma da inevitabilidade de fortuitos relacionamentos e da procura de novos parceiros. A monotonia que se instala no relacionamento a dois, aliado à falta de razões fortes para impedir a separação, tem feito surgir relacionamentos alternativos e coloridos na tentativa de contrariar o desfecho mais provável: o fim do relacionamento. Evita-se a pasmaceira aceitando, temporariamente, um terceiro elemento na relação, abrem-se portas, normalmente cerradas a comportamentos rígidos, quebram-se comportamentos típicos do casamento tradicional, procuram-se variáveis nos comportamentos sexuais. Uma imagem associada à monogamia é a da alimentação monótona. Todos sabemos que comer sempre o mesmo enjoa, não é saudável, nem humanamente suportável! Acredito na monogamia gay, como excepção que confirma a regra, não creio na máxima: viveram fiéis e felizes para sempre. Não podemos transpor para os nossos relacionamentos o ideal da moral judaico-cristã. Essa moral não nos aceita, nem nós temos que depender dela para sermos felizes porque ela não foi feita para nós. Os relacionamentos gay devem depender de uma ética humanista, nunca de uma moral religiosa. O relacinamento gay deve ser sincero e honesto, pois não tem justificação social e pessoal a falta destes ingredientes, e ter como fundamento a felicidade de ambos, jamais as algemas de uma obrigação moral ou a leveza de um acasalamento funcional. Cada casal homo deve alicerçar o seu relacionamente num diálogo aberto de forma a que de mútuo acordo possam encontrar soluções construtivas, para manter o seu relacionamento afectivo, vivo e interessante, tendo, sempre presentes que o tempo passa e um companheiro , disposto a compartilhar uma vida, não se encontra todos os dias na barra da discoteca ou ao balcão de um bar. A solidão está escrito no futuro daqueles que não souberem orientar a sua vida para construirem uma relação madura, aberta e saudável. A promiscuidade pura e simples até à morte da juventude não tem que ser o destino de cada um. Existe felicidade e auto estima num relacionamento duradouro e salubre, mas é um erro insistir em transpor para o casamento gay os paradigmas dos relacionamentos heterossexuais. As excepções confirmam a regra. Insistir em estereotipos heterossexuais são o caminho mais curto para o falhanço de relacionamentos que não são espartilhaveis dentro das barreiras morais que os mesmos impõem.

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