terça-feira, novembro 01, 2005

O DINHEIRO QUE OS GAYS GASTAM VALE COMO O DOS OUTROS

Numa recente tentativa de patrocinar um « reality show», uma completa aberração televisiva, diga-se, para bem das consciências, uma das televisões da nossa praça tentou angariar investidores que promovessem os seus produtos, ligando-os a um programa de televisão que punha homens a desfilar de salto alto e mini saia a troco de um punhado de euros. Segundo consta a tarefa não foi fácil: muitas empresas contactadas não mostraram interesse em investir no programa. Olhando para o fundo da caixa registadora alguns empresários verificaram não ser a altura ideal para gastos publicitários; outros ao perceberem que o «show» era de gosto duvidoso, concluiram que surgiriam melhores oportunidades de gastar dinheiro; alguns perspectivaram as audiências e anteciparam o desastre que veio a ser; uns quantos foram corajosos e aceitaram o desafio, tantos que o «reality show» foi para o ar. Finalmente um outro grupo recusou associar-se ao referido show que promovia o lado feminino de homens que supostamente nada de feminino tinham.
Suspeita-se, seriamente, que estas empresas se refugiaram em desculpas esfarrapadas para não associar o seu nome a um programa de conotação homossexual. Temeram a associação de ideias!? Cada empresa tem obrigação de difinir estratégia de ataque ao mercado.Os seus mercados alvo devem estar bem definidos.Os nichos de mercado onde actuam trabalhados. As armas para os cativar bem calibradas. Surpreende no entanto ver empresas, cujos produtos são potencialmente interessantes para a comunidade GLBT, recusem investir neste nicho de mercado, receando conotações e reacções negativas dos seus clientes que possam vir a prejudicar a actividade das suas empresas. Esta atitude revela, parece-nos, mais uma vez uma postura tacanha e saloia de portugueses que têm condições socio-culturais para darem exemplo de aceitação de minorias, sejam elas de que tipo forem.
Na minha opinião, estas empresas cometem um erro, que lhes pode vir a ser fatal. A comunidade GBLT é maior do que parece e por consequência não deve ser desprezada por quem quer vencer no mercado global. Por outro lado julgo começar a ser verdade que as mentalidades estão a mudar e a maior parte dos portugueses consumidores não tem medo que a homossexualidade seja contagiosa.

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