quinta-feira, outubro 27, 2005

A «TÊTA» ESPANHOLA SABIA-NOS BEM?


Prostrados ante as dificuldades socio-económicas que Portugal enfrenta, começa a surgir um grupo cada vez mais numeroso de nacionais que se revolta contra D. Afonso Henrique, que, estupidamente, nos arrastou para a independência. Se ele soubesse no que ía dar não teria desembainhado a espada para enfrentar a mãe, qual adolescente mal educado! Nestes dias de crise, cada vez mais portugueses opinam, despudoradamente, que se fosse-mos uma região espanhola estariamos muito melhor: seriamos mais ricos, não teriamos um salário mínimo tão mínimo, seríamos governados por políticos competentes, assistiríamos a touradas a valer com mortes e tudo, já teríamos ganho várias vezes o festival da Eurovisão e por esta altura eram dias de festa, sem parar, com uma chuva de matrimónios gay, etç, etç...
Agora que nos consciencializamos que os subsídios da «CEE» acabaram, que o estado está falido, enfim que não há quem nos dê a «ponta de um corno» para continuarmos a fingir que somos ricos, pegamos na imaginação, e, já que o Euromilhões só sai aos outros, tentamos escrutinar onde existe uma «têta gorda» que continue a alimentar o nosso estilo de vida «chulo». Olhamos para o outro lado da fronteira e que vemos: uma Espanha Gorda, quase eufórica com o seu poderio económico, com o seu PIB a crescer sem reparar na concorrência chinesa ou de leste; um país divertido que «vai de copas toda la noche», que dorme a siesta, que baila o Flamengo... Como seria maravilhoso fazer parte desta realidade! Raios partam O D. Afonso Henriques, a padeira de Aljubarrota, o Mestre de Avis e não sei quantos mais parolos que nos separaram de Espanha!
Não temos emenda! Se uma fonte secou, nada mais se deve fazer que procurar outra que faça cair do céu o Maná que nos alimente neste deserto da nossa falta de ambição, de auto-estima, de empenho, de empreendorismo, de capacidade de sermos donos do nosso destino e, sem estender a mão, garantirmos o nosso lugar no mundo como nação velha de oito séculos, mas não esclerosada nem seníl.
Como pode alguém, neste país, acreditar que haverá sempre alguém a sustentar-nos?
O Maná parou de caír do céu todas as manhãs!
Há que acordar cedo e ir trabalhar.

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