
A comunidade gay nacional enferma em grande parte dos mesmos problemas de que padece a sociedade portuguesa no seu todo. A sua afirmação está diluidada entre a consciência de que existe uma minoria de homossexual que se vislumbra nas ruas das grandes cidades e que constitui a ponta do iceberg do que é a comunidade gay nacional. São uma minoria pouco visível que se faz passar despercebida de preferência
É necessário cruzar fronteiras para nos aperceber-mos como estamos acomodados no nosso cantinho, como somos quietos, como lutamos pouco pelos nossos interesses à semelhança da população em geral. Somos uma minoria desorganizada. O nosso ideal é o direito à indiferença, mas até agora não alcançamos mais do que passar despercebidos e parecer inexistentes!... A nossa voz deve ser ouvida, as nossas opiniões divulgadas, os nossos interesses revelados e discutidos. A comunidade homossexual nos países vizinhos organiza-se, publica, manifesta-se, dá a cara na defesa dos seus pontos de vista. Na nossa vizinha Espanha publicam-se vários periódicos que unem a comunidade gay, na divulgação de eventos, na análise e discussão das questões que a preocupam, na problemática da sua afirmação e aceitação social. Por essa Europa fora faz-se de igual modo. Em Portugal raramente passamos dos guetos onde nos encontramos para beber uns copos, conversar,fazer novos conhecimentos e engates, enfim, o único local onde podemos ser nós mesmos, livres do receio de sermos descobertos. Contentamo-nos com muito pouco. Vivemos num país pouco exigente e somos, nós gays, pouco exigentes . Usufruir da liberdade de sermos aquilo que somos faz mais pela nossa felicidade e auto-estima do que qualquer lei que venha a ser aprovada a regular os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A lei que nos permite «sermos aquilo que somos» é uma realidade no nosso país. Cabe-nos a todos dar força a essa disposição constitucional fazendo valer os nossos direitos, dizendo que estamos cá: fazemos parte deste país e contribuimos, como qualquer cidadão, para o seu desenvolvimento com o nossa força de trabalho, pagando os impostos devidos ao erário público. Se já cumprimos os deveres de cidadania, então, não podemos deixar que nos usurpem dos nossos direitos, sobretudo o principal: o de ser livre de ser quem sou!
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