Terminei mais uma semana de trabalho. O verão chegou e depois de alguns dias de céu envergonhado quem estava de férias aproveitou para adquirir aquela cor apetitosa e invejosa que informa todos os vizinhos, amigos, e passantes que estivemos de férias num lugar do sul onde o sol é maravilhoso. Os «meus» carros ficaram estacionados à porta da loja à espera da nova fornada de gente com vontade de conhecer os maravilhosos recantos do Algarve, digo eu. Foi um dia com pouco que fazer.
Tinha prometido ir jantar a casa da mamã e assim fiz. Ao chegar fui presenteado com o relato de uma tragédia.
Há algum tempo, perante o elevado número de casos ocorridos, escrevi o que penso sobre a presença de cães de raças consideradas perigosas como animais de estimação. Depois disso muitos outros casos de ataques destes animais ocorreram em Portugal. Lembro o caso mais mediático daquela imigrante ucraniana que foi morta nos arredores de Sintra. Recordo, também, que quando criança fui mordido por um cão. Apenas um ataque rápido que me feriu no pescoço e as suas garras, ainda hoje marcadas no meu braço não me deixam esquecer porque receio deparar-me com cães à solta na via pública.
Carlinhos é um puto de 6 anos. Chegava a casa vindo da festa de encerramento do ano lectivo, na antiga sala de cinema da Fuzeta. Entrou em casa e dirigiu-se ao quintal onde o Pitt Bull da família, animal de que o seu irmão mais velho, já adolescente, muito se orgulha. O animal estava excitado, perseguindo gatos que lhe atravessavam a sua área reservada. Carlinhos como sempre entrou despreocupado, sabendo que o animal ali devia estar. Só não esperava é que sob a loucura da perseguição dos gatos o seu cão o atacasse violentamente como se fosse um estranho ou um gato inimigo. Salvou-o a avó que ouviu os gritos. Quando conseguiu afastar o cão a pobre criança já se esvaia em sangue, fruto de várias mordeduras desde os membros inferiores ao crânio, a mais grave de todas. Chegado o INEM em tempo recorde, faça-se justiça, e assegurados os primeiros socorros toda a família estava inconsolável, em estado de choque, e a sentir crescer um enorme sentimento de culpa pelo sucedido. Afinal o animal já tinha atacado sem gravidade um membro da família anteriormente e ninguém tomou precauções.
O Carlos é sobrinho da minha cunhada e filho de um amigo meu de infância. Depois de suturadas as feridas e verificada a gravidade da lesão no crânio o pior parece já ter passado. Vão ficar para sempre as marcas, senão as físicas, as recordações da traumática da experiência nunca mais o abandonarão. Como quase sempre podia ter sido mais grave, incluindo o espectro da morte, caso não estivesse nenhum adulto por perto.
Possuir um cão pertencente a uma raça considerada perigosa tornou-se moda. Em tempos a moda foram os Pastores Alemães, já foram os Huskies siberianos, agora o que é «in» é ter um Pitt Bull Terrier, um Dogue Argentino ou um Rotweiller. Quantas pessoas mortas ou mutiladas são necessárias para que os donos e as autoridades cumpram a legislação em vigor sobre a posse destes animais?
Por mim não permitiria a sua posse a particulares como animais de estimação. Sem contemplações.
Tinha prometido ir jantar a casa da mamã e assim fiz. Ao chegar fui presenteado com o relato de uma tragédia.
Há algum tempo, perante o elevado número de casos ocorridos, escrevi o que penso sobre a presença de cães de raças consideradas perigosas como animais de estimação. Depois disso muitos outros casos de ataques destes animais ocorreram em Portugal. Lembro o caso mais mediático daquela imigrante ucraniana que foi morta nos arredores de Sintra. Recordo, também, que quando criança fui mordido por um cão. Apenas um ataque rápido que me feriu no pescoço e as suas garras, ainda hoje marcadas no meu braço não me deixam esquecer porque receio deparar-me com cães à solta na via pública.
Carlinhos é um puto de 6 anos. Chegava a casa vindo da festa de encerramento do ano lectivo, na antiga sala de cinema da Fuzeta. Entrou em casa e dirigiu-se ao quintal onde o Pitt Bull da família, animal de que o seu irmão mais velho, já adolescente, muito se orgulha. O animal estava excitado, perseguindo gatos que lhe atravessavam a sua área reservada. Carlinhos como sempre entrou despreocupado, sabendo que o animal ali devia estar. Só não esperava é que sob a loucura da perseguição dos gatos o seu cão o atacasse violentamente como se fosse um estranho ou um gato inimigo. Salvou-o a avó que ouviu os gritos. Quando conseguiu afastar o cão a pobre criança já se esvaia em sangue, fruto de várias mordeduras desde os membros inferiores ao crânio, a mais grave de todas. Chegado o INEM em tempo recorde, faça-se justiça, e assegurados os primeiros socorros toda a família estava inconsolável, em estado de choque, e a sentir crescer um enorme sentimento de culpa pelo sucedido. Afinal o animal já tinha atacado sem gravidade um membro da família anteriormente e ninguém tomou precauções.
O Carlos é sobrinho da minha cunhada e filho de um amigo meu de infância. Depois de suturadas as feridas e verificada a gravidade da lesão no crânio o pior parece já ter passado. Vão ficar para sempre as marcas, senão as físicas, as recordações da traumática da experiência nunca mais o abandonarão. Como quase sempre podia ter sido mais grave, incluindo o espectro da morte, caso não estivesse nenhum adulto por perto.
Possuir um cão pertencente a uma raça considerada perigosa tornou-se moda. Em tempos a moda foram os Pastores Alemães, já foram os Huskies siberianos, agora o que é «in» é ter um Pitt Bull Terrier, um Dogue Argentino ou um Rotweiller. Quantas pessoas mortas ou mutiladas são necessárias para que os donos e as autoridades cumpram a legislação em vigor sobre a posse destes animais?
Por mim não permitiria a sua posse a particulares como animais de estimação. Sem contemplações.
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