quinta-feira, novembro 02, 2006

É O FIM DA MACACADA!


A natureza está cheia de incongruências. O gorila que tem fama de erotómano desaforado está dotado de uma pila de cinco centímetros em erecção. O seu apetite sexual é raro. As fêmeas só se deixam convencer uma vez de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos, quando julgam os os filhos já são suficientemente crescidos para fazer vida sozinhos. Mas quando pretendem excitar os companheiros têm de insistir muito. O preguiçoso cumpre as suas obrigações conjugais de má vontade: trezentos movimentos divididos em três cavalgadelas por hora, durante três horas. Conseguida a ejaculação, não recomeça.
O chimpanzé, que vive em bandos onde coabitam vários machos e várias fêmeas, está sujeito à concorrência. Proporcionalmente ao tamanho do gorila, os seus orgãos genitais são seis vezes maiores. Mas, em contrapartida, faz figura de ejaculador precoce: bastam-lhe de cinco a vinte bombadas, repetidas quatro ou cinco vezes, tudo despachado em cinco minutos.
Grandes macacos monogâmicos, há poucos, só o gibão, a espécie mais afastada do homem. O orangotango é um celibatário empedernido que vive sozinho e só copula quando tropeça, por acaso, numa parceira no meio da floresta.
Fascinante, fascinante é o bonobo (descoberto em 1929 na República Democrática do Congo) que foi, durante muitos anos considerado uma subespécie do chimpanzé. Catherine Vincent conta uma história hilariante sobre este primata: num zoo europeu, o tratador recebeu um bonobo. Ao primeiro contacto, o animal fez menção de beijá-lo. Habituado aos chimpanzés que usam o beijo como sinal de amizade, acedeu. Qual foi o seu espanto quando sentiu a língua do bonobo dentro da sua boca! Este chimpanzé era um libertino que procurava deliberadamente o prazer.
Esta espécie compartilha com os humanos 99% dos genes. A autoridade reside nas fêmeas que controlam a comida e escolhem os machos com quem querem fornicar. A verdade é que elas os escolhem a todos e estão sempre prontas. A actividade sexual destes primatas é tão desenfreada que, ao contrário dos gorilas e chimpanzés, não está sujeita a estações do ano ou a períodos de ovulação da fêmea. O leque de posições sexuais é imenso e a fornicação delirante toma contornos de orgia na qual participam também os jovens. Apenas o incesto é evitado, como nas outras espécies de primatas. Masturbação, sexo oral, sexo olhos nos olhos, o que é único entre animais, fazem parte do cardápio do prazer. Prazer, sim, pois alguns cientistas estão convencidos de que as fêmeas - que só engravidam de cinco em cinco anos - procuram e atingem o orgasmo. Estas práticas servem para cimentar as boas relações dentro da horda e ainda para defesa das crias. Assim, os machos desconhecem se são os pais ou não e nunca atacam os putativos filhos. Enquanto os chimpanzés são agressivos e lutam entre si pelas fêmeas, caçam em grupo, utilizam ferramentas; os bonobos resolvem tudo através do sexo e da socialização. No entanto, uns e outros não adoptam tais práticas por crueldade ou bondade. Fazem-no para manter a sociedade em funcionamento.
E nós como somos?

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