terça-feira, outubro 24, 2006

O MILAGRE NÃO ACONTECEU!


Quando regresso a Portugal depois de um período, mais ou menos longo, fora, ao atravessar a fronteira sinto, cá no íntimo, uma leve esperança de que durante a minha ausência tenha ocorrido, por obra e graça divina, um milagre! Qualquer facto extraordinário e inexplicável, imperceptível aos que por cá ficaram, que tenha mudado, para melhor, claro está, o meu cantinho do mundo. Não que não goste dele como é; já escrevi por aqui que gosto dele e é neste lugar que estou bem comigo mesmo e onde quero continuar. Talvez este enraizamento saloio tenha a ver com o desejo de ver este recanto melhorar e tornar-se mais igual àquilo que eu sonho que ele deve ser. Para mim este deve transformar-se no melhor lugar do mundo para eu viver e é nessa esperança que quero assistir ao milagre da sua transformação, ainda que seja um milagre lento e não, como eu secretamente concebo quando estou longe daqui. Um tanto ou quanto utópico, dirão, mas para mim os processos concluidos não têm interesse: perdem a magia e o encanto que só a motarmofose ostenta. O resultado final é o ponto morto do processo, a vida está no caminho para lá chegar.
Voltando ao milagre, que está em conflito com o que acabei de dizer, que nas minhas costas tivesse transformado o meu país num estado sem pobreza, sem desemprego, sem poluição, sem desordenamento urbano, sem aberrações arquitectónicas, onde não houvesse lugar para o crime, para a corrupção e para a maldade. Eu queria atravessar a ponte sobre o rio Guadiana ou sair do Aeroporto de Faro e deparar-me com um mundo de ordem, organização, beleza natural e urbana, de gente feliz que não deixasse margem para dúvidas que tinha chegado ao paraíso na Terra: Portugal!

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