
Até ao início da idade adulta tudo parece transitório na vida das pessoas. Embora, muito do que acontece até esse momento marque definitivamente o futuro de cada um, tudo parece remediável e umas portas vão-se abrindo quando deixamos que outras se fechem. A escolha da profissão e do emprego e sobretudo da companhia para formar família, seja ela tradicional ou alternativa já é outra história. Estas escolhas tornam-se, teoricamente, definitivas. Não se muda de emprego, nem de família como quem muda de camisa. Pois é, depois os anos passam e a máquina começa a emperrar. Primeiro tentamos olear as engrenagens e por algum tempo tudo parece voltar ao normal: o emprego que se tinha tornado uma seca volta a fazer sentido; o casamento que já era uma carroça sem besta a puxar volta, temporariamente, a rodar. Passado algum tempo tudo se repete, cada vez mais amiude e nem a lubrificação resulta. A desmotivação para o trabalho e a monotonia do casamento começa a descarilar definitivamente.
É nesta fase que sonhamos todos os dias com o Euromilhões, com umas férias longas numa ilha do Pacífico e uma aventura amorosa de perder a cabeça. No fundo ansiamos algo que resgate a nossa vida do turpor em que a rotina das relações profissionais e afectivas a lançou.
O que falta na maior parte das vezes é coragem para dar esse passo em frente e romper com o que era definitivo e para a vida.
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