sexta-feira, setembro 29, 2006

NÃO HÁ ARGUMENTOS QUE OS DEMOVAM


Todos nós conhecemos alguém do tipo sabe tudo. Ele tem opinião formada e definitiva sobre qualquer assunto que se aborde. Entre os colegas de trabalho, entre os conhecidos ou amigos, na família há de certeza alguém que nunca tem dúvidas e raramente se engana. Basta que se pegue num assunto qualquer e sem margem para incertezas a sua palavra é a definitiva. Se matematicamente não puderes provar o teu ponto de vista então a discussão está perdida. Vais acabar calado a ouvi-lo fechar com remate certeiro onde tudo o que argumentaste não teve qualquer efeito prático. Tu até podes continuar a sentir que o teu ponto de vista está certo, mas desistes de argumentar por cansaço, não porque tenha ficado demonstrado que não tens razão.
Pois é, eu tenho um colega assim. Felizmente não trabalhamos no mesmo escritório, mas encontramo-nos regularmente. É daquelas pessoas bem dispostas e que têm sempre qualquer coisa nova para nos ensinar. Está sempre actualizado a todos os níveis, conhece sempre os últimos desenvolvimentos de qualquer acontecimento, polémica ou processo. O pior é quando tu também estás, e não te resignas a ouvi-lo explanar os seus conhecimentos e opiniões. Está tudo estragado. Vais ficar demasiado tempo a argumentar e não vais mudar um milímetro à sua opinião.
Hoje voltei a encontrá-lo e precipitei-me ao dizer que tinha batido o record mundial de velocidade entre Armação de Pêra e Faro. Não devia ter mencionado tal faceta: primeiro porque não era verdade e depois porque isso serviu de pontapé de saída para uma aborgagem em tom de reprovação sobre o risco de ser multado por excesso de velocidade na auto-estrada. Dizia ele que havia câmaras de controlo por todo o lado. Eu assenti que era verdade. Ele explicou-me onde estavam colocadas; eu disse-lhe que essas não eram de controlo de velocidade, mas de contagem de tráfego. Ele que não, eu que sim, porque era uma via de portagens virtuais e era assim feito a verificação do tráfego. Ele que não que a lei tinha entrado em vigor na semana passada. Eu concordei sem ter ouvido falar sobre o assunto, mas continuei a dizer que a disposição das câmaras não podia servir para passar multas de excesso de velocidade porque estavam colocadas na berma da estrada não podiam fotografar as matrículas. Ele que sim que me arriscava a perder a carta de condução se não tivesse cuidado. Senti que para além da argumentação pairava no ar uma certa incredulidade reprovatória sobre a minha ignorante posição: como era possível que eu, que faço, todos os dias dezenas de quilómetros naquela estrada não tivesse em conta a grave realidade que me estava a ser revelada. Desisti. Disse-lhe que sim, que não se preocupasse que tinha cuidado na condução e que ia ter essas câmaras em atenção. Isto é, as nossas opiniões não se moveram um milímetro em direcção à do outro, mas uma coisa ele consegui é que quando voltar à Via do Infante me lembre que o excesso de velocidade me pode fazer perder o meu mais precioso instrumento de trabalho: a autorização para conduzir e aumenta o risco de acidente.
Deixem-me dizer-vos que outros colegas me criticam por eu andar a entupir o trânsito na A22. Quem nem pareço um condutor que trabalha numa rent-a-car!

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