No Domingo quando ocupei a minha hora de almoço caminhando pelas ruas quase desertas da vila de Porches, o dia limpo transparente de Primavera realçava os rebordos azuis e amarelos sobre o branco das casas até me ferir os olhos. Por entre as frestas das janelas brancas de madeira pintadas escapavam-se sons de fado, do Brasil ou apenas de música portuguesa bem timbrada, acompanhada do cheiro a peixe assado: sardinhas frescas saltando na brasa!...
Nas árvores balanceadas por um vento suave cantavam pintassilgos e as andorinhas esvoaçavam atarefadas sobre os telhados tradicionais.
As flores nos vasos e nos canteiros esforçavam-se por soltar cores mais vivas para me agradar. Sem a música que vinha dos quintais onde se almoçava o silêncio era tão puro como o azul do céu e tão intenso como o brilho do sol.
Era uma vila perfeita onde a vida se escondia para a refeição do meio do dia dentro das magníficas casas algarvias.
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Segundo fontes históricas, a actual Vila de Porches teve a sua origem em meados do séc. XVI, tendo sido edificada pela população, vinda de uma antiga urbe denominada Porches Velho (lugar da freguesia mais próximo da costa).Porches Velho teria sido ocupado por romanos e em 1253 já era considerado Vila, cabeça de um julgado e possuidora de um forte castelo Medieval.
A região de Porches foi célebre e importante. Terra conhecida pelo seu famoso vinho, Terra do barro, das olarias e dos grandes mestres.Habilidosas mão continuam a dar forma ao barro, mantendo viva esta arte secular.
Com o incremento do Turismo, a olaria de Porches tornou-se próspera. O barro artístico teima em assimilar harmoniosamente as técnicas e motivos transmitidos pelos velhos mestres, cuja arte o aprendiz dá continuidade, com uma nova e original inspiração.
1 comentário:
Gostei imenso das fotografias!5 estrelas
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