
Ainda era muito criança quando uma frase frequentemente escutada da boca dos homens portugueses me começou a intrigar e confundir. Várias vezes ouvi jovens ou homens maduros pronunciar com ar enfadado esta frase: «- Sei lá... Não sei apreciar homens». Estas palavras soavam-me a falso. Como era possível que o conceito estético de belo se esvaísse pelo ralo da mente masculina sempre que o alvo dessa apreciação era um seu semelhante do mesmo sexo?
Então, não tens dúvidas em dizer, alto e bom som, com toda a virilidade que há na pose do teu olhar, que uma mulher que passa na rua é agradável à vista, é bonita, é «boa» porque as formas do seu corpo são bem delineadas e o conjunto do seu rosto é belo, mas quando vês um homem o conceito de beleza, de harmonia das formas eclipsa-se?
Não estava em causa essas formas ou contornos se tornarem desejáveis e atraentes afectiva ou sexualmente; era apenas considerá-las belas ou não. Que mal tinha?
Cada vez que a situação se punha só me apetecia chamar mentiroso ao macho latino que não tinha tomates para dizer o que achava esteticamente de outro homem. A homofobia latente e o medo de ser julgado por uma simples opinião torna os machos portugueses ridículos.
O estigma e o medo de que qualquer atitude ou palavra impensada possa ser interpretada como falta de virilidade ainda desperta o pânico nos machos lusos. Também aqui não basta ser, é preciso parecer e mais vale não facilitar! Não vá alguém pensar que eu sou desses.
Sei lá apreciar homens, eu! Quem pensas tu que eu sou?
1 comentário:
Muito obrigado pela correcção. É bom saber que alguém zela pela lingua portuguesa na blogosfera.
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