
O investimento foi anunciado com pompa e circunstância há alguns meses atrás. Na época parecia a revelação de um milagre: um grupo de empresários, liderados pelo português Patrick Monteiro de Barros, um homem ligado ao negócio da refinação de petróleo nos Estados Unidos, queriam investir em Portugal muitos milhões de euros numa refinaria, construida de raíz, em Sines. O país, deprimido, ouvia todos os dias que mais uma fábrica ia fechar ou deslocalizar a produção para um país de leste, deixando mais algumas centenas de trabalhadores no desemprego e fazendo mirrar mais um pouco a nossa economia, eis senão quando alguém anuncia que afinal é rentável investir fortunas em Portugal para refinar petróleo que depois será exportado para os Estados Unidos contribuindo para melhorar as nossas contas externas, criar dois mil postos de trabalho, mas o mais importante mesmo era fazer o país acreditar que é viável e confiável para investir. Serviu de bandeira ao governo para ajudar empurrar o país para uma retoma económica baseada na confiança de projectos de investimento virtuais. Fez-nos bem ouvir os anúncios de investimento.
Na minha cabeça pairou sempre a dúvida sobre os impactes ambientais de tal investimento ,numa região que já está saturada de industria petroquímica, iria causar: as enormes emissões de CO2, mais um tiro na camada de ozono e mais uns pontinhos no aquecimento global, mas o que era isso comparado com a perspectiva que o país tinha condições para sair da crise e voltar a acreditar em si?
Nos últimos dias já havia indícios que algo não estava a correr bem: o americano tinha dado à sola, nada avançava!... Hum! Até que hoje estala o verniz. O governo não aprovava o projecto tal qual tinha sido apresentado na sua última versão. Monteiro de Barros vem a terreiro dizer que o governo não cumpriu as suas obrigações nem assumiu os seus compromissos por isso o projecto fica suspenso até que?...
Este projecto milionário tem cheiro a tentativa de aproveitamento da debilidade económica e política em que se encontra o país. Ansioso por investimentos industriais de raíz como está, este grupo de empresários deve ter pensado que Portugal era uma presa fácil para os seus planos. Apresentou um projecto ambicioso para os interesses nacionais tão promissor como o da Auto-Europa como engodo para a pescaria. Depois de entusiasmar o governo e os portugueses em geral refez o projecto e apresentou uma refinaria que em vez de basear o seu negócio na exportação virava-se para o mercado nacional através da produção de energia tornando o país ainda mais dependente dos combustíveis fósseis; em vez de emitir duas mil toneladas de CO2 por ano para a atmosfera passava para seis mil e o estado português é que pagava o preço de acordo com o protocolo de Quioto; para além das populações do litoral alentejano e do ambiente do planeta em geral, e os incentivos do estado ao investimento eram também eles milionários à custa dos nossos impostos. Sabe bem construir um negócio de milhões à custa do dinheiro alheio e arriscando quase nada. O isco foi lançado e o peixe acabou por morder, mas não engoliu. Graças a Deus que assim foi.
O governo português também não está isento de culpas neste processo. Embandeirou em arco quando ouviu cintilar os euros e deu a cara por um investimento que pela sua megalomania cheirava a esturro. Quando a esmola é muita o cego deve desconfiar e o nosso governo não desconfiou que o que se pretendiam era vergar o país sedento de crescimento económico e de auto-estima.
A central nuclear para produção de energia é outro dos planos em que alguém quer fazer o governo nacional embarcar acenando com a penúria e os elevados preços do petróleo. Parece mais um investimento em que alguns querem ganhar muito dinheiro à custa do dinheiro que os impostos fazem entrar nos cofres do estado.
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