quinta-feira, maio 25, 2006

IMPRESSÕES DE TORREMOLINOS


Torremolinos é o exemplo do que de pior se fez na Costa do Sol em termos de urbanismo nos anos 70 e 80. A pressão turística transformou uma pacata vila do Mediterrâneo ocidental numa cidade claustrofóbica, fruto da construção intensa de alojamentos e locais de divertimento, para turistas ávidos de sol e mar que ali a natureza oferece com abundância. Algo tem vindo a ser feito nos últimos anos para que a cidade volte a respirar com saúde, mas há males que quando estão feitos não têm remédio.

Desde há muito que a comunidade gay transformou esta estância de férias na sua preferida da Costa del Sol. As gentes e os turistas estão habituados à exuberante vida gay, que sobretudo desponta pelas ruas ao anoitecer. Os casais de mão dada ou agarrados numa demonstração de afirmação e sentimento de aceitação percorrem as ruas em busca de um restaurante, de um bar ou simplemente num vaguear descomplexado lado a lado com os outros turistas e com os residentes que parecem em perfeita harmonia. Ao longo dos anos gays de vários pontos da Europa adoptaram a cidade para viver e trabalhar e não é difícil encontrar um hostal de um Inglês, um bar de um casal holandês, um restaurante de um francês, ou gente de todas as partes trabalhando no comércio, na restauração ou nos estabelecimentos hoteleiros da cidade, incluindo portugueses que ali encontraram o equilìbrio entre o trabalho e a vida gay.

Ao abordarmos dois jovens sobre as características de uma determinada discoteca obtivemos uma resposta que não deixa margem para dúvidas: « En Torremolinos tudo és gay!». A comunidade gay que vive na cidade ou a visita tem grande importância para a economia local. Muitos bares, restaurantes, discotecas, lojas de vestuário, sapatarias, e outros dependem da procura da clientela homossexual para sobreviver.

Da primeira vez que visitamos a cidade sentimos a influente presença gay, mas agora, fruto das leis aprovadas recentemenrte em Espanha notamos uma abertura e um avontade da comunidade gay que não era patente antes. A cidade precisa dos gays e eles sabem disso e não se fazem rogados em impor a sua presença nem a cidade lhe faz cara feia, pois reconhece que precisa deles.

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