
(...)«Nos finais de 1984, o popular actor norte-americano Rock Hudson declarou publicamente que sofria de SIDA e que tinha contraído a doença numa relação homossexual. Hudson, então um admirado protótipo do galã viril e sem qualquer mancha, converteu-se numa das primeiras celebridades mundiais a reconhecer a sua condição gay.(...)
Perante esta corajosa atitude do actor, numerosas personalidades da cultura americana contemporânea, como Truman Capote ou Andy Warhol, também reconheceram sem preconceitos a sua homossexualidade; assim como,no campo lésbico, a tenista Martina Navratilova, a actriz Marlene Dietrich ou a escritora francesa Marguerite Yourcenar. Mas tratava-se de casos isolados, que o público aceitava enquanto tal e não como um fenómeno mais generalizado. Porém, a partir do exemplo de Rock Hudson deu-se uma verdadeira explosão de revelações em cadeia, em que figuras reconhecidas em todos os tipos de actividade começaram a declarar publicamente serem gays. Os americanos etiquetaram o fenómeno como Outing the closet ou seja, «sair do armário», que os colectivos gays adoptaram com o sentido de abandonar livremente um sítio fechado e escuro.
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Até ao final do século, a explosão do armário já não era uma cadeia, mas uma enxurrada. Instituições tão machistas e conservadoras como as Igrejas e as forças armadas tiveram que aceitar homossexuais nas suas fileiras, enquanto muitos outros membros que já faziam parte dessas instituições começavam a espreitar pela porta do armário.
Iniciado o novo milénio, o ascendente «orgulho gay» obteve o reconhecimento dos seus direitos perante os tribunais e parlamentos da maior parte do mundo ocidental, obtendo a abolição das leis repressivas e regulamentações discriminatórias, aceitação legal dos casais de facto e, em cada vez mais países, do casamento civil ou da possibilidade de adoptar crianças em pé de igualdade com os casis homossexuais.»
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Do livro: Os gays na História de Paul Tournier, Editorial Estampa, pg. 233 a 235
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