domingo, abril 30, 2006

ÀS 5 DA MADRUGADA!



A noite de Sexta-feira alongou-se mais do que o pretendido inicialmente. Fomos a Albufeira ver as obras do programa Polis e como estão muito atrasadas e a baixa da cidade está um caos acabamos a beber um copo no Dreams Club, como o ambiente não estava mau fomos ficando. Voltamos a casa passava das 4:30 da madrugada. Pela A22 em direcção ao sotavento só se encontra uma estação de serviço já próxima da saída para Tavira. Aí paramos por volta das 5 horas da manhã para comer algo antes de deitar, pois o pequeno almoço iria confundir-se com o almoço.
Ao entrar no snack bar deparamo-nos com uma mesa repleta de garrafas de cerveja. À sua volta dois homens e uma mulher bebiam pela garrafa mais uma. Falavam alto, em linguagem pouco cuidada para um espaço público e o comportamento indiciava excesso de alcool no sangue. Aquele espaço fora, certamente, a derradeira opção para continuar o ritual que se iniciara horas antes num bar qualquer de Faro ou Olhão até que tiveram de o abandonar devido ao adiantado da hora. A conversa entre eles não fazia grande sentido, mas estava animada. Soube pelo meu acompanhante, o Shwasy, que era um casal e um amigo habitantes de uma aldeia vizinha.
Recentemente agitou-se a bandeira da redução da taxa de alcoolemia permitida aos condutores para reduzir a sinistralidade nas nossas estradas!? Porquê ninguém se lembra de proibir a venda de alcool nas estações de serviço das nossas estradas e auto-estradas? Em Espanha a lei é aplicada. Em Portugal só vale a lei do tudo ou nada?

Passemos à frente:

Nas máquinas de jogos electrónicos estava empoleirada uma menina ruiva, linda, de 3 anos de idade talvez, 4 no máximo. Às 5 da madrugada uma criança, pouco mais que bébé, deambulava ,solitária, pela sala perdida entre as mesas e cadeiras e os balcões! Não estava mal vestida, não parecia ter passado fome, não estava suja e surpreendentemente não parecia ter sono.
Ficamos chocados: enquanto os pais encharcados de cerveja já não tinham noção do avançado da hora aquela criança atravessava a noite acompanhando os pais alcoolizados por bares e espaços impróprios para a sua idade!
Infelizmente não se escolhe os pais nem a família onde se nasce. Mas os pais, a sociedade e o estado deviam proporcionar aos seus filhos condições de vida que garantissem igualdade de oportunidades para todas as crianças. Será que aquela menina que cresce sem regras, nem normas, sem ver respeitado o seu relógio biológico, observando comportamentos pouco abonatórios para a sua educação quando chegar a altura de frequentar uma escola, de cumprir regras e horários estará preparada em condições de igualdade com as outras crianças para cumprir o seu destino e vencer na vida?

Não me pareceu um caso grave em que a comissão de protecção de menores tenha que intervir, mas responda-me quem souber: como vamos chegar ao nível de desenvolvimento que pretendemos se não cuidamos da juventude que vai assegurar o futuro deste país?

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