
A morte inesperada de pessoas famosas não pode deixar de nos chocar. Essas vidas que num ápice desaparecem deixam uma espécie de vazio como se fossem nossos familiares ou pelo menos amigos mais ou menos íntimos. Entraram nas nossas vidas através do ecrâ da televisão e como que se tornam nossos conhecidos, a que nos habituamos a ver com regularidade, até termos a sensação de com eles privar por intermédio das personagens a que dão vida. Surpreendentemente elas passam a ter importância afectiva para nós, passivos tele-espectadores, que nunca lhes dirigimos uma palavra. Eles não ultrapassam, na esmagadora maioria das vezes, de imagens animadas que só os mexericos das revistas cor-de-rosa nos permitem privar, à distância, com factos da sua vida real.
A morte de Francisco Adam vem repetir esse sentimento de perda em muitos adolescentes que seguiam a par e passo a vida das personagens de «Morangos com açucar». Não estou no rol daqueles que criaram essa relação afectiva com o personagem Dino, até porque já não tenho 15 anos, mas recordo o que senti quando o cantor Carlos Paião morreu, também ele num acidente de viação. Senti a injustiça do destino ao levar para sempre alguém que eu tanto admirava. Adolescente, na época, julguei que a televisão, os festivais da Eurovisão e a música portuguesa nunca mais seria a mesma. E a verdade é que assim foi!
António Variações era para mim um ídolo, alguém em quem me revia e em quem me projectava e derrepente morreu...
A morte de figuras públicas são sentidas pelo povo como a perda de um conhecido. Quando a morte leva um jovem de 22 anos ainda se sente mais.
Tal como a estrada levou o Dino eu a vi ela levar a Helena e o Humberto meus colegas de escola. Gente desconhecida, mas também tinham a vida pela frente, só não eram famosos...
1 comentário:
uma vida é uma vida seja famosa ou não!
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