
Uma sondagem publicada hoje no DN mostra que os portugueses não são a favor dos casamentos homossesuais numa percentagem superior a 55% para o não, contra pouco mais de 37% dos que são a favor. Uma pequena percentagem que ronda os 5% não tem opinião formada e menos de 2% não quizeram responder. Aqui temos a resposta do povo português à polémica levantada pela tentativa de casamento entre a Lena e a Tereza. Não me surpreende.
O que me surpreenderá será o facto de dentro de um ano, mais coisa menos coisa, o parlamento aprovar uma lei que vá contra a evidência destes números. Será preciso coragem, e em Portugal os políticos não tem mostrado muita nos últimos 30 anos. Sócrates tem mostrado que é capaz de implementar medidas corajosas e antipáticas, mas será capaz de insistir numa lei que a maioria não aceita?
A postura do governo na recente polémica dos casamentos gays mostra-se sensata. Primeiro é preciso preparar o povo para compreender e aceitar as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Debate, esclarecimento, abertura de mentalidades, para contrapor ao «levantamento popular» que a Igreja católica vai patrocinar dos altares das suas igrejas, e a oposição feroz que virá da direita portuguesa. Mais, o presidente Cavaco Silva não deixará de vetar uma lei que não tenha a aprovação da maioria do eleitorado e que ele, como sabemos, pessoalmente não perfilha. É absolutamente necessário que sejam os portugueses a defender a instituição dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e não que lhe seja imposta uma lei contra a sua consciência. Fazer ao contrário é caminho certo para o fracasso desta causa dos homossexuais portugueses. Contamos que o PS e o governo promovam o debate para esclarecer e mudar opiniões. Quando esse trabalho tiver dado frutos a lei pode avançar para o parlamento. Impor contra as consciências é escolher o fracasso.
Há que ter paciência e perseverar na luta.
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