
Revolta-me ver um casal de adolescentes serem empurrados pelos próprios pais para tomarem decisões e assumirem responsabilidades para que não estão ainda preparados. Raramente os filhos transformam os belos sonhos que os pais tiveram desde que os viram bébés em realidade quando crescem e fizem das suas vidas o que o «destino» lhes permite. Os progenitores sonham sempre grande e a realidade por vezes não cresce acima do banal!
Pais cheios de ideais religiosos, morais e sociais são candidatos apetecíveis a que a vida os surpreenda com filhos apenas humanos e terreais. Reagir à frustração que é ver que os filhos não foram aquilo que sonharam retirando-lhes o suporte financeiro, afectivo e social é de uma hipocrisia total. Empurrar os filhos para fora de casa porque eles não realizaram os nosso sonhos paternos é moralmente mesquinho e socialmente reprovável. É isso que se faz quando os pais castigam os filhos puxando-lhe, do soalho que pisam, o tapete que os sustenta familiarmente que é o afecto, a palavra, o contributo financeiro, a aceitação ou pelo menos a compreensão, para que eles possam continuar a pensar que apesar de tudo têm família e são bem-vindos a casa. Retirar estes suportes básicos é sacudir para fora do seio familiar os filhos. Ninguém aguenta a rejeição da indiferença. Afinal a religiosidade tem uma moral que previlegia os ritos em detrimento dos afectos.
Mais condenável do que empurrar os filhos para a rua, sem emprego para garantir o sustento, sem um curso de formação profissional terminado, sem uma casa para morar, sem maturidade para assumir a responsabilidade de constituir família e logo a seguir impor-lhes um casamento para descançar a consciência religiosa que ficaria fatalmente afectada caso o casamento não se concretizasse.
Felizmente, por vezes a sorte bate à porta. Pressionados pela reprovação familiar, a abandonar o lar sem nada onde se agarrar a não ser a força de vontade que quando é forte faz milagres, percorreram as ruas de Faro procurando um emprego improvável e uma casa aceitável e numa tarde conseguiram o milagre de encontrar emprego e casa. Felizmente há dias de sorte como diz a Santa Casa.
Agora que se consumou a saída de casa já se pedem desculpas, já se promete toda a ajuda necessária, já se fazem as pazes, já se faz o que até antes se negava, enfim o plano resultou agora o melhor é manter as aparências.
Insiste-se no casamento, porque os preceitos religiosos estão acima dos interesses pessoais. Não interessa que as probabilidades de fracasso de um casamento precipitado e consumado por dois jovens que não estão preparados para tal responsabilidade sejam muito elevadas. Se daqui a alguns meses ou mesmo anos, que seja, se tiver que pagar um divórcio eles que o paguem: - não foram eles que se casaram? Enfim o tradicional cinismo dos ratos de sacristia.
E eu, que até não concordo com o casamento. Considero-o uma monumental trapalhada, o soneto pior que a emenda, fui convidado para padrinho! A minha sobrinha merece que eu aceite o convite, mas só ela, mais ninguém.
Sem comentários:
Enviar um comentário