segunda-feira, fevereiro 20, 2006

UMA OUTRA HISTÓRIA DE AMOR...


Fui, finalmente, ver o Filme!
Assisti a um espectáculo de sobriedade e de bom gosto na abordagem de um amor proibido entre dois homens que facilmente poderia descambar para o senscionalismo e voyerismo. Com Ang Lee nada disso acontece. Todos os homossexuais ficam com uma dívida enorme para com este realizador e actores que magistralmente interpretam o papel de cowboys que vivem uma paixão tão maldita e interdita como intensa e verdadeira.
Ao meu lado ficou sentada uma família formada por dois rapazes adolescentes e seus pais, já na casa do 50. O rapaz mais novo argumentava ao intervalo que o filme estava estragado; aquilo só tinha acontecido por força das circusntâncias e porque um deles gostava de homens, não havia dúvidas. O irmão, um pouco mais velho - talvez já com os 16 anos feitos - contrapunha que não, que tinha surgido entre eles amor como surgiu entre ele e a namorada. Muito interessante! Na fila da frente um grupo de gente nova, mas mais madura - pelos 30 - formado por três mulheres e dois homens sentaram-se comendo um enorme balde de pipocas. As três raparigas de um lado; os dois representantes do sexo masculino, lado a lado, do outro. De início uma das raparigas, ria e soltava comentários de teor levemente homofóbico e picava os homens com piadinhas jocosas. Curiosamente, não era correspondida. O resto do grupo assistia concentrado ao filme sem fazer qualquer comentário. Ao reacenderem-se as luzes voltou à carga e perguntou ao amigo mais próximo de si, enquanto se levantavam: - Então, também queres ser «rabo»? fazendo alusão a uma legenda, menos feliz, da tradução, quando os personagens negaram o gosto pela prática do que tinham acabado de fazer. No regresso não voltei a ouvir risinhos nem piadas da rapariga loira?! Alguns casais gays assistiam ao filme com muita atenção. Outros casais e grupos acompanharam o filme em silêncio, respeitando o que viam, sem comentários.
O amor, seja ele de que tipo for é sublime e quando é genuíno ninguém lhe pode ficar insensível nem gozar ou repudiar um sentimento tão nobre, venha ele de onde vier e seja dirigido a quem quer que seja.
Brokeback Mountain vai ficar para sempre como uma referência. Quando se falar de amor homossexual o filme de Ang Lee será sempre referenciado como exemplo, para o defender ou para o repudiar. Uma certeza fica; vai ser difícil falar do tema olvidando um comentário que seja à paixão de Ennis Del Mar por Jack Twist.
Dificilmente quem assitiu ao filme pode continuar a falar do amor entre pessoas do mesmo sexo como um capricho de gente invertida e sem moral.

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