
Decorreram três anos desde que a minha irmã decidiu investir na transformação do seu automóvel para passar consumir GPL . Na época a gasolina dava os primeiros sinais de aumento de preço e ela queixava-se que com a correria diária casa/trabalho/ginásio tinha que fazer o carro consumir água da chuva, se possível (sempre era mais em conta). Como nenhum professor Pardal patenteou tal invenção, não há serviço público de transporte na rota que ainda faz todos os dias e a bicicleta era impraticável: decidiu-se pelo GPL que na altura custava uns módicos 0.33€ (metade do preço da gasolina). Foi criticada, chamaram-lhe sovina, disseram-lhe que não justificava o investimento (1.200€), que desgastava o carro, que gastava mais dinheiro em oficina, blá, blá, blá...
Hoje ela ri daqueles que a desaconselharam e se riram da sua decisão. O GPL subiu para quase o dobro, mas continua a adquiri-lo a menos de metade do preço da gasolina sem chumbo 95. O mito que o GPL acelera o desgaste mecânico do carro não passa disso mesmo. A factura de oficina não aumentou e ela nunca mais se lamentou dos gastos em combustível porque ainda hoje desembolsa menos que há três anos para percorrer os mesmos quilómetros.
Se, em lugar de nos desfazermos em lágrimas e implorarmos ao governo que baixe o preço dos combustíveis, tomássemos a iniciativa de procurar a solução para os nossos problemas e agíssemos, o país teria outra atitude perante a crise e não se deixaria abater por ela como parece estar a acontecer. Mas a nós portugueses sempre foi mais natural jogar as culpas para cima de alguém e desatar a lamentar a nossa desgraça na soleira da porta, porque é a lamentar que nos sentimos bem. E o fado da desgraçadinha não para de tocar...
Hoje ela ri daqueles que a desaconselharam e se riram da sua decisão. O GPL subiu para quase o dobro, mas continua a adquiri-lo a menos de metade do preço da gasolina sem chumbo 95. O mito que o GPL acelera o desgaste mecânico do carro não passa disso mesmo. A factura de oficina não aumentou e ela nunca mais se lamentou dos gastos em combustível porque ainda hoje desembolsa menos que há três anos para percorrer os mesmos quilómetros.
Se, em lugar de nos desfazermos em lágrimas e implorarmos ao governo que baixe o preço dos combustíveis, tomássemos a iniciativa de procurar a solução para os nossos problemas e agíssemos, o país teria outra atitude perante a crise e não se deixaria abater por ela como parece estar a acontecer. Mas a nós portugueses sempre foi mais natural jogar as culpas para cima de alguém e desatar a lamentar a nossa desgraça na soleira da porta, porque é a lamentar que nos sentimos bem. E o fado da desgraçadinha não para de tocar...
Há no entanto alguns, e são cada vez mais, que começam a limpar as lágrimas e a agir.
Se considero desapropriado a descida artificial (via ISP) do preço dos combustíveis para a frota automóvel em geral, penso que para os transportes públicos (táxis não incluídos), pescas e transportes de mercadorias devia o governo encontrar soluções urgentes para minimizar a pressão inflacionista que o aumento do seu preço está a provocar. Ver o estado subsidiar os passeios de carro dos portugueses está fora de causa, no meu entendimento. A médio prazo não há escolha: voluntariamente ou de forma forçada há que encontrar alternativas à queima de combustíveis fósseis.
Se considero desapropriado a descida artificial (via ISP) do preço dos combustíveis para a frota automóvel em geral, penso que para os transportes públicos (táxis não incluídos), pescas e transportes de mercadorias devia o governo encontrar soluções urgentes para minimizar a pressão inflacionista que o aumento do seu preço está a provocar. Ver o estado subsidiar os passeios de carro dos portugueses está fora de causa, no meu entendimento. A médio prazo não há escolha: voluntariamente ou de forma forçada há que encontrar alternativas à queima de combustíveis fósseis.
Qual a percentagem de transporte ferroviário de mercadorias em Portugal? Não seria uma solução mais barata e ambientalmente mais aconselhável? Das viaturas que entopem as nossas estradas quantas poderiam ficar na garagem se a rede de transportes públicos fosse operacionalmente eficiente e financeiramente atractiva? A redução da importação de petróleo só pode ser favorável ao desenvolvimento da nossa economia e não o contrário. O estado não fomenta a redução do consumo porque o ISP é uma espécie de galinha dos o
vos de ouro das finanças portuguesas, mas a saúde da nossa economia ficaria eternamente agradecida.

As câmaras municipais têm que investir rapidamente na promoção das deslocações em velocípedes. Por exemplo a cidade de Olhão não têm um único local para estacionamento de bicicletas na sua zona central. Não têm uma única via urbana para velocípedes. Sendo uma cidade plana é urgente adaptar nas ruas e avenidas uma rede básica que permita a deslocação em bicicleta com o mínimo de segurança.
Em Portugal o automóvel continua a ser sinónimo de status, por isso os portugueses não conseguem estar muito tempo sem o seu carrinho por perto, mas a falta de dinheiro para o alimentar vai obrigar a repensar a nossa relação com os carros.
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