Ao fim de semana as cidades ganham um ritmo de vida mais natural, mais humano, mais descontraído. Durante os dias chamados úteis, com excepção de quem está de férias ou em passeio, todos usam a cidade, ninguém tem tempo para a fruir verdadeiramente.
Hoje, mesmo as pequenas cidades de província perdem o ritmo acelerado, os carros passam lentos e poucos, os transeuntes passeiam-se com outro expressão no olhar, com outro olhar no rosto. Os dias de calor baixam o ritmo do passo e nas esplanadas o tempo parece ter parado. Um café, uma água fresca e todo o tempo do mundo para tagarelar ou simplesmente olhar quem vai, quem chega, quem passa. Nos dias de preguiça as ruas mostram-se aos olhares de quem passa e os lugares ganham predicados que durante a semana ninguém repara.
Dei-me conta que o meu frigorífico já não tinha nem uma peça de fruta para matar a fome e fui ao supermercado. Antes parei para almoçar, se é que um sumo de laranja e uma sandes de carne assada, rematada com um expresso se pode considerar almoço! O café estava cheio de avós muito aprumadas falando dos seus achaques como é natural na sua idade, mas mesmo assim com grandes planos para os próximos dias. Tratavam-se por meninas: «- Menina Isabelinha, já foi à Voz de Cristal? Eu estive lá uma vez e adorei». Havia gente com tempo para fazer sala. No passeio o passo apressado era coisa de outros dias.
Finalmente no supermercado. Enquanto empurrava o carrinho tive a sensação de ouvir alguém trautear uma música de natal atrás de mim. Estranhei a melodia. Apurei o ouvido e tive a certeza: era mesmo uma mãe cantava para o filho uma canção de natal. A voz bem colocada e sem desafinar deliciavam a criança. Havia naquela canção algo de muito íntimo e especial. Mãe e filho sabiam o significado daquela música. Eu não. Apenas achei a cena linda. E eu quase me emocionei com aquele quadro afectivo entre mãe e filho.
Os fins de semana tornam as cidades mais humanas, mais vivas, mais puras.
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