
Jerry Falwell, controverso evangelista americano e inimigo de estimação da comunidade gay morreu na semana passada. Ao longo da sua vida tudo fez para ter os homossexuais como tal e foram as suas polémicas posições sobre eles que o popularizou. Sempre se empenhou em culpar os homossexuais de quase tudo de mau que acontecia no mundo, desde a Sida ao 11 de Setembro. Polémico apoiante do Partido Republicano contribuiu generosamente para as campanhas de Ronald Reagan. Na época da presidência de Bill Clinton não lhe deu descanso enquanto durou o escândalo Monika Lewinsky. Produziu um filme atancando ferozmente as aventuras sexuais do presidente. Mais tarde admitiu não saber o que era verdade ou não em tudo aquilo.
Durante os anos 50 e 60 manteve o apoio à segregação racial, argumentando que não se devia unir o que Deus criara diferente. Disse que só juízes sem Deus podiam ter tomado a decisão de ordenar escolas não separadas por raça. Acusou Martin Luther King de ser esquerdista e falso pacifista. Depois moderou-se dizendo que tinha baptizado uma criança negra logo em 1960. Na verdade isso aconteceu só em 1971.
Torneou a proibição de actividades políticas na sua igreja dizendo que a lei permitia que cinco por cento da actividade de um pregador podia ser política, logo esses cinco por cento podiam ser gastos no sermão dominical. Mais recentemente considerou a separação entre o Estado e a Igreja um mito tal como o aquecimento global do planeta.
Como a maior parte dos evangélicos acreditava que o fim do mundo estava próximo. Era um sionista convicto. Quando Ariel Sharon ficou em coma, disse que era castigo divino por este se ter retirado a Faixa de Gaza, enquanto garantia que o Anticristo, quase a chegar, seria um judeu do sexo masculino.
Só Falwell poderia ter descoberto que por detrás dos Teletubbies se encontrav
a uma sinistra conspiração. Um dos personagens, Tinky Winky, era de côr púrpura, exibia um triângulo invertido na cabeça e levava uma mala na mão.

A mais popular controvérsia em que se envolveu foi quando atribuiu aos defensores do aborto e aos homossexuais a culpa moral pelos atentados de 11 de Setembro, por defenderem uma América secularizada. Já antes dissera que a Sida era castigo divino para os homossexuais e para a sociedade que os tolerava. Pediu desculpas por ambas as ideias, mas em privado continuou a defendê-las de uma forma ou de outra.
Enfim, Jerry Falwell morreu e não deixa saudades, embora um inimigo de estimação faça falta aos gays americanos para com mais empenho lutarem pelos seus direitos e ideais.