Paris recebeu-nos ao anoitecer com uma temperatura que fazia inveja ao Algarve de onde tínhamos saído horas antes e um céu inesperadamente limpo. Por uma mão cheia de vezes sempre tinha passado pela capital francesa como gato por brasas. Não deliberadamente, mas nunca tinha planeado uma visita a Paris. A cidade tinha sido sempre escala, nunca destino final.
Pouco a pouco, ao longo da vida, desenvolvi uma especie de ressentimento contra a cidade. Desde criança que a sentia como a cidade onde devia ter crescido. Meu pai emigrou para lá aos meus 4 anos. Optou por deixar a família por cá por razões que racionalmente compreendo, mas que emocional e afectivamente reprovei desde tenra idade. Sentia que era lá o meu lugar e sem que a cidade tenha culpa alguma comecei a pô-la de parte como se de uma vingança inconsciente se tratasse: ela não me quis e agora não a queria eu.
Esta, finalmente, visita era uma esperança de reconciliação de dois amantes que se afastaram sem razão. Ao estudar a língua francesa dos 9 aos 18 anos contactei com a cultura gaulesa muito de perto, ao ser filho de emigrante ouvi muitas estórias sobre a cidade, conheci muita gente que por lá deambulou anos de suas vidas. A televisão, o cinema, a literatura, a música fez o resto. Andei por Paris como se lá já tivesse estado muitas vezes. Os lugares amados e celebrizados pelos média sofrem este estigma de fazer sentir àqueles que os visitam a sensação de já lá terem estado. Tornam-se lugares de revisitação e perdem o poder de surpreender verdadeiramente, mas ganham o poder de emocionar o visitante. Visitar aquilo que já se admira mexe com sentimentos como se se visitasse um velho amigo. Comigo é assim. Nunca mais poderei esquecer as lágrimas que me enevoaram o olhar quando subi ao Areópago Ateniense e vi a cidade de Atenas aos meus pés e relembrei as palavras do apóstolo Paulo; não poderei esquecer como o meu coração batia quando entrei no vale dos reis e parei frente ao túmulo de Tutankhamon. Tive a mesma sensação quando aoabandonar a escadaria do metro d Charles de Gaule e olhei para o imponente Arco do Triunfo no centro da enorme rotunda e depois me virei para a avenida e meus olhos desfilaram pelos Campos Elísios, vislumbraram o obelisco que falta à entrada do templo de Luxor, depois o Jardim das Tulheries, a pirâmide rodeada pela imponência do Museu do Louvre.
Finalmente Paris estava ali a meus pés e eu sabia que ia amar a cidade. Íamos fazer as pazes e eu ia querer voltar.
Pouco a pouco, ao longo da vida, desenvolvi uma especie de ressentimento contra a cidade. Desde criança que a sentia como a cidade onde devia ter crescido. Meu pai emigrou para lá aos meus 4 anos. Optou por deixar a família por cá por razões que racionalmente compreendo, mas que emocional e afectivamente reprovei desde tenra idade. Sentia que era lá o meu lugar e sem que a cidade tenha culpa alguma comecei a pô-la de parte como se de uma vingança inconsciente se tratasse: ela não me quis e agora não a queria eu.
Esta, finalmente, visita era uma esperança de reconciliação de dois amantes que se afastaram sem razão. Ao estudar a língua francesa dos 9 aos 18 anos contactei com a cultura gaulesa muito de perto, ao ser filho de emigrante ouvi muitas estórias sobre a cidade, conheci muita gente que por lá deambulou anos de suas vidas. A televisão, o cinema, a literatura, a música fez o resto. Andei por Paris como se lá já tivesse estado muitas vezes. Os lugares amados e celebrizados pelos média sofrem este estigma de fazer sentir àqueles que os visitam a sensação de já lá terem estado. Tornam-se lugares de revisitação e perdem o poder de surpreender verdadeiramente, mas ganham o poder de emocionar o visitante. Visitar aquilo que já se admira mexe com sentimentos como se se visitasse um velho amigo. Comigo é assim. Nunca mais poderei esquecer as lágrimas que me enevoaram o olhar quando subi ao Areópago Ateniense e vi a cidade de Atenas aos meus pés e relembrei as palavras do apóstolo Paulo; não poderei esquecer como o meu coração batia quando entrei no vale dos reis e parei frente ao túmulo de Tutankhamon. Tive a mesma sensação quando aoabandonar a escadaria do metro d Charles de Gaule e olhei para o imponente Arco do Triunfo no centro da enorme rotunda e depois me virei para a avenida e meus olhos desfilaram pelos Campos Elísios, vislumbraram o obelisco que falta à entrada do templo de Luxor, depois o Jardim das Tulheries, a pirâmide rodeada pela imponência do Museu do Louvre.
Finalmente Paris estava ali a meus pés e eu sabia que ia amar a cidade. Íamos fazer as pazes e eu ia querer voltar.
1 comentário:
Adorei este texto, a sério. Deve ter sido uma sensação maravilhosa, pisar Paris.
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