segunda-feira, abril 30, 2007

PART-TIME FATIGANTE

Isto de arranjar um part-time não foi boa ideia. Acabou o fim de semana e sinto-me como se fosse Sexta-feira. Estou um caco. Sinto-me cansado como se tivesse trabalhado o Verão inteiro, só não ganhei dinheiro suficiente para não fazer nada o resto do ano, à boa maneira cá do sul. Felizmente amanhã já é Segunda-feira. Os «sogros» estão quase de regresso e na Terça é feriado, um verdadeiro dia santo dos trabalhadores. Será a minha chance de recuperar ânimo para trabalhar os dois dias que me faltam até à próxima folga.
E depois já faltam poucas semanas para as férias de Primavera. Paris é logo ali, a duas horas de avião e embora os gauleses não sejam o povo mais acolhedor da Europa, a cidade luz ainda é uma referência para quem tem a pretensão de ter visitado um pouco do mundo. O meu françês, o idioma claro, que francês de carne e osso nunca apreciei muito, sempre achei que têm todos tendências sado-maso, o que não é o meu forte, está para a conversação como a sardinha está para a lata de conserva, so lá cabe se fôr bem cozida, aparada e temperada . O meu francês é uma rosca ferrugenta, só oleada e um pouco forçada é que funciona. Os planos estão feitos. Que o dia chegue na data certa.

Misturado com esta azáfama toda, tive que fazer uma reflexão sobre o que quero fazer do meu trabalho e da minha equipa. Sempre foi minha estratégia apostar na responsabilidade individual de cada um para desempenhar as suas funções. Sempre quis acreditar que as pessoas se forem devidamente motivadas são capazes de vestir a camisola e ter orgulho na forma como desempenham as suas funções. Julgo que não estou completamente errado, mas quando menos esperamos surgem variáveis pessoais que renegam para segundo plano a capacidade de separar o essêncial do acessório, o egoismo do altruismo, a competência e o empenho pessoal das motivações mais triviais. É nesta fase que é preciso pôr travões a este «laissez faire lessez passer» de cada um e lançar rédeas para trazer as pessoas a bem ou a mal ao fundamental do desempenho profissional. Deixar que as motivações pessoais interfiram com as profissionais é meio caminho andado para que o comboio possa descarrilar, mais cedo ou mais tarde. Como o maquinista sou eu o melhor é por travões na carruagem antes que o descarrilamento seja certo. O processo não vai ser mais doloroso para ninguém do que para mim, mas não tenho alternativa. É altura de separar o trabalho do conhaque, como se costuma dizer por cá. Lamentavelmente há quem não saiba quando se deve parar, nem porquê. Eu sei que a hora de parar é agora e hoje, primeiro dia de trabalho da semana, já houve quem se tenha dado conta.

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