A propósito das recentes iniciativas da extrema direita no nosso país, um amigo, quando eu comentava a detenção de vários apoiantes destes movimentos nacionalistas, que defendem o recurso à violência para defender e promover os seus ideais reagiu dizendo: não é nada contra vocês (este vocês é sinónimo de homossexuais), mas muita canalha que anda por este país devia ir-se embora. Este amigo não perfilha os princípios dos radicais direitistas, mas esta atitude mostra como existe uma vasta minoria da população que simpatiza com as teses racistas e xenófobas destes grupos. Os partidos desta índole obtêm cerca de 10 mil votos em eleições legislativas, mas na sombra há muito boa gente que não repele as propostas que negam os valores básicos da liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens. Medos, pouco claros, de que os imigrantes nos roubam os postos de trabalho, competem com baixos salários, são potenciais criminosos, casam com as nossas filhas e tornam impuro o sangue dos nossos netos, desfiguram a nossa cultura, entre muitos outros são a razão para esta simpatia velada pelos ideais fascistas.
Existe uma extrema direita corajosa que dá a cara e consegue aparecer diariamente nos jornais e televisões através de iniciativas de baixo custo, mas planeadas com rigor e sentido de oportunidade. Eles não estão a dormir. Na minha opinião as autoridades e a lei portuguesa está a agir em conformidade com o desafio que estes grupos colocam ao país. Claro que muitos defendem que a divulgação desses ideais e organização politica desses grupos seja pura e simplesmente proibida. O risco de, nesse objectivo a Democracia passar a usar métodos que o nacional fascismo não desdenharia faria com que fosse igual a eles em intolerância, censura e repressão.
A acção preventiva levada a cabo, recentemente, pela polícia judiciária foi tremendamente eficaz nos seus resultados. Apanhou em flagrante membros destes grupos com armas proibidas, com material de propaganda de cariz racista e provocou indirectamente o cancelamento da organização em território nacional de um encontro de partidos de extrema direita de toda a Europa este fim-de-semana. É o que se chama «matar dois coelhos com uma cajadada».
O PNR é um partido legalizado que institucionalmente não cruza as raias do legalmente aceitável, por isso não há instrumentos legais para o ilegalizar. Os seus dirigentes e simpatizantes, como indivíduos, já podem ser criminalmente acusados, sempre que pisarem o risco, como já aconteceu várias vezes. E aí sinto alguma segurança porque sinto que as autoridades estão atentas. Ilegalizar e reprimir com métodos pouco democráticos podia ser contraprocedente. Seria na minha opinião empurrar estes indivíduos para o terrorismo que é o que acontece quando não se dá oportunidade a estes grupos de expressarem as suas opiniões. O importante é criar condições para que não tenham apoio social e se mantenham como gropusculos que esperneiam diariamente pela visibilidade dos seus projectos.
A Democracia tem princípios e não pode ceder à tentação de usar métodos fascistas contra aqueles que defendem esses métodos. Passaria a ser igual ou pior do que eles.
Quanto àquele meu amigo que mostra simpatia por ideais xenófobos, racistas, nacionalistas e que diz que não tem nada contra os homossexuais ( e acredito que não tenha) tem certamente falta de princípios éticos e de um sistema de valores que não abonam nada em seu favor nem da nossa amizade.
sexta-feira, abril 20, 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário