sexta-feira, março 30, 2007

TÜRKIYE - 28 MEMBRO DA UE



A Turquia tem mais de 90% do seu território fora do continente europeu. É um país esmagadoramente islâmico quanto a práticas religiosas da sua população. É um país com um nível de desenvolvimento económico muito inferior à média europeia. É um estado que tem graves problemas na área do reconhecimento dos direitos humanos e que não encontrou uma solução duradoura para a nação curda. O governo turco teima em não normalizar as suas relações com o estado cipriota, membro da UE que tem o seu território dividido por uma ocupação turca que formou um estado que apenas os turcos reconhecem.
A Turquia é actualmente o maior embaraço da União Europeia. O pedido de adesão e o início de negociações com vista à sua entrada na União é um enorme imbróglio político e diplomático para a Europa.

Abro este espaço para manifestar a minha solidariedade com as pretensões dos turcos que olham para a UE como uma esperança e único caminho para o seu desenvolvimento económico e social. Olhando à sua volta só a Europa corresponde à realização dos seus sonhos como estado laico que se quer moderno.

Dentro da Europa as contradições são mais que muitas. Os receios de que o enorme país islâmico venha perturbar a secularizada, mas cristã União constroem um muro de silêncio e de estagnação quanto ao problema turco. E quando é preciso dizer algo os que rejeitam a Turquia europeia agarram-se à geografia e dizem que não é Europa. Será esse um factor determinante? Tem fronteira com a Grécia e a Bulgária, a sul tem a ilha de Chipre que importância tem o facto da Anatólia ser geograficamente uma península asiática. E a Europa no seu todo não é uma península do enorme continente asiático? Na minha opinião a geografia não é determinante para pôr a Turquia fora da Europa. Culturalmente a Turquia não é Europa?! Mas olhando às raízes da nossa Europa quantos do que nela mais prezamos nos vem desse povo? A Bíblia está repleta de referências a acontecimentos ocorridos por lá. Juntamente com a Grécia e a Roma imperial é lá que vamos buscar as nossas raízes. Culturalmente estão mais próximos da cultura ocidental europeia do que dos seus vizinhos do Médio Oriente.
A questão religiosa é um factor fundamental de separação. Este país há muito que se assumiu como um estado laico, embora saibamos que essa palavra lá não tem o mesmo valor que nos países europeus. Quando muitos apostam em dividir o mundo entre bons (cristãos) e maus (islâmicos) num maniqueísmo que afasta duas religiões nascidas no mesmo caldeirão cultural e as torna inimigas e com elas os seus povos, aceitar um país de maioria islâmica no seu seio é fazer uma ponte entre as duas culturas, atenuar diferenças e demonstrar que podem cooperar e desenvolver-se juntas. Só a Turquia pode fazer essa ponte entre o ocidente e o Islão mais ortodoxo. A Europa tem no seu seio milhões de cidadãos de religião maometana e só pode estar em segurança dentro das suas fronteiras se a tolerar e respeitar. Acolhendo um país islâmico como membro de pleno direito a UE dá esse sinal de reconhecimento aos seus cidadãos de outra fé. E quando a Bósnia-Herzegovina bater à porta? também será rejeitada por ser maioritariamente seguidora do Alcorão?
A entrada deste país na união põe um desafio enorme às instituições de comunidade devido ao seu relativo atraso económico e social. A pressão demográfica será enorme. se compararmos a hipotética entrada da Turquia na União com a dos países do antigo bloco de leste o desafio é bastante menor. Estes países também saíram de situações económicas muito difíceis, com um aparelho produtivo inoperante, um sistema económico em revolução, mas muita vontade de vencer as dificuldades. E como sabemos estão a ultrapassá-las mais rapidamente do que se poderia pensar. A sua integração assustou os europeus, mas a UE não podia barrar as portas à entrada destes países por razões financeiras, económicas ou sociais quando apoiou e rejubilou com a queda dos seus regimes políticos. Não o fez por solidariedade depois de incentivar a queda do muro de Berlim. Era o mínimo que podia fazer e hoje os problemas causados estão em vias de resolução. E a Europa continua a viver o maior período de paz da sua História. Com a Turquia no seu seio sedimentará esse objectivo de pacificação do continente e de toda a bacia do Mediterrâneo. Tal como aconteceu com os países ibéricos a questão do desenvolvimento é apenas um desafio e a Europa só sobrevive se tiver desafios a vencer.

Há problemas políticos e sociais dentro das fronteiras turcas? É uma realidade. Este país ainda não assimilou totalmente os valores da liberdade, igualdade, fraternidade do sistema democrático, diria eu. Os direitos humanos não são completamente respeitados, existem tradições que vão contra os princípios da carta universal dos direitos humanos. Aí está nas mãos dos países membros fazerem pressão para acelerar o processo de modernização da sociedade turca, obrigando o governo a implementar leis e a reprimir práticas que não respeitem as liberdades direitos e garantias que estão consagradas nos ideais europeus.
A Turquia deve ver encarada com seriedade a sua candidatura à União e logo que hajam condições o seu processo de adesão deve ser implementado obrigando o país a implementar medidas de forma a tornar-se um membro de pleno direito da UE sem que isso seja um favor feito àquele grande país que faz parte da nossa História como os outros que já o são.

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