domingo, novembro 05, 2006

PROFESSORES - O CASO SUECO


«Sou sueco e professor. Trabalho em Portugal há muitos anos. tenho feito o melhor possível, com falhas e com sucessos, com dificuldades umas vezes, mais agradável outras. mas nunca, como agora, senti que me considerassem atrasado mental ou que eu próprio assim pensasse.
É que, de repente, quando vejo a luta que os professores portugueses travam neste momento, sinto uma enorme e desesperante frustração, ao perceber que , na Suécia, toda a classe de professores tem sido, desde há longos anos, verdadeiramente estúpida e pouco esperta.
Quando para ter bons indicadores no ensino, com escolas, faculdades e institutos e laboratórios de investigação de bom nível (para além da saúde e segurança social), aceitámos pagar 50-52% de IRS, ter a reforma aos 65 anos, pagar 25% de imposto sobre a pensão de reforma, ter um horário na escola mais sobrecarregado, com dedicação e múltiplas actividades, ter um estatuto de carreira mais duro e inflexível do que este que agora querem introduzir aqui e ser avaliados com enorme rigor (que nem passaria pela cabeça de qualquer equipa menisterial em Portugal).
Portanto, compreende-se que me sinta um pouco traído pelos meus governantes na Suécia.
O que me leva, naturalmente, a concordar com a luta que os meus colegas portugueses mantêm agora. Pois, de facto, é muitissimo melhor pagar só 35% de IRS, pagar nada de imposto sobre a reforma (ou mesmo os 4% que agora se quer introduzir), trabalhar menos na escola, como até aqui, sem a chatice de a escola ter de estar sempre em funcionamento com actividades da comunidade escolar e da comunidade em geral, com pouca avaliação ou nenhuma e com um estatuto de carreira mais permissivo.
Mesmo que, por isso, os resultados efectivos fossem muitíssimo mais fracos do que temos agora por lá, se calhar teria valido a pena não se ter apostado tão rigorosamente na organização do colectivo, pelo sacrifício estúpido dos cidadãos individualmente.
Mas, por outro lado e pensando melhor, será que lá no norte da Europa (Escadinávia e Finlândia), há 25 milhões de pessoas assim tão mentecaptas, que preferiram o sacrifício individual para manter aquele nível de vida colectivo?
«Ah, mas lá têm condições!», ouve-se. Sim, têm. E deve ser porque são geniais, pois conseguiram ter condições, antes de as terem criado! Não, está errado quem assim pensa. Custou muito, foi muito difícil, foi com muito sacrifício que se foram criando as condições.
E, se essas condições interessam a alguém neste país, seria bom começar por se estudar a realidade naqueles países. É que, uma realidade é absolutamente indesmentível, os suecos não são melhores do que os portugueses!...»

Ruben Marks - Maia

In Diário de Noticia - 01-11-2006

8 comentários:

Francisco Castro disse...

Grande aldrabice que é facilmete desmontada por quem conhece bem a realidade do Norte da Europa. Fico triste que o mexilão se renda a um populismo superficial. Fico triste, de facto este país não vale a pena com "mexilhões" assim.

DE CORPO E ALMA disse...

Nós portugueses temos uma enorme dificuldade em assumir as nossas responsabilidades, como povo, em relação ao estado a que o país chegou. É bem mais fácil culpar os governantes, sem faver um esboço, sequer, de mea culpa. Cada povo tem os governantes que merece e o nosso nacional porreirismo deixa-nos ter década após década governantes que não governam, sobretudo porque os portugueses tem aversão a quem governa. Para governar Portugal é preciso mexer com os interesses instalados durante décadas de governos a fazer de conta e isso ninguém gosta. Mas se este governo começar a governar para ganhar eleições o mais certo é vir a perdê-las, se fizer o contrário certamente vai ganhá-las porque hoje a maioria do nosso povo já percebeu que não há outra forma do que arrepiar caminho e largar a atitude laxista e despreocupada que nos caracteriza.

Francisco Castro disse...

Noa falei de politica, nem contestei governantes nem sequer falei em interesses instalados. Até podia falar de lobbies de minorias...
A unica coisa que contesto é a mentira e aldrabice que figura no post. De facto Portugal é um país de aldrabões!

DE CORPO E ALMA disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Se há algum mentiroso por aqui é o professor de nacionalidade sueca que vive por cá e conhece os dois sistemas. Ele deve ter inventado tudo isto por inveja dos professores portugueses!

Francisco Castro disse...

meu caro conhece o tal prof sueco?? vc acredita no pai natal? ou é do lobbie???
entao vc publica um texto de alguem que nao conhece??? valha-o Deus!!!
ai mexilhão ai mexilhão....
Se eu mandar uma carta para o publico dizendo que todos os gays são pedofilos torna essa afirmação verdadeira??? confirme as fontes meu caro!

DE CORPO E ALMA disse...

Aceito a sua crítica. O que este sr. escreveu pode até conter dados falsos ou exagerados, mas o facto de ter durante vários anos olhado para a realidade portuguesa com olhos de «alemão» diz-me que na essência o que o sr. Marks escreve é verdadeiro.

Francisco Castro disse...

Não é minha intenção entrar em polémicas.Aliás este blog (que eu gosto de ver) é seu e obviamente que poderá colocar o que bem entender. Só chamei a atenção para este post que é "falso e mentiroso" quanto á sua visão desta realidade quem sou eu para contesta-la?? a minha visão é outra e é a de um professor português que conhece bem a realidade alemã e relativamente bem a do Norte da Europa (países escandinavos). Num país em que a disciplina e autoridade desapareceu das escolas em que os professores são obrigados a aprovarem os alunos todos e são tornados burocratas enfiados em papeis sem quaisquer utilidade não se pode esperar muito. Infelizmente não é com este governo neo liberal que governa em função dos lobbies para privatizar saúde,educaçao, cobrança d eimpostos etc que vamos lá.Esta é a minha visão

aceite um abraço porque não é por discordar por si neste post que deixarei de ser um leitor assiduo dos seu blog