sexta-feira, novembro 17, 2006

NAS VITÓRIAS E NAS DERROTAS


Não sei bem como explicar este facto, mas desde muito jovem que aprendi a enfrentar os percalços do dia a dia ou da vida, como quiserem, com uma frieza inesperada. Nunca reagi com excessos emocionais a notícias boas nem encarei como tragédias os maus acontecimentos. Aprendi a conter-me. No fundo foi uma auto-defesa que encontrei para não parecer tão vulnerável quanto sou. Construí um comportamento algo estoíco que nunca me deixou festejar de mais vitórias efémeras, nem ver como o fim do mundo as derrotas. Assim ganhava forças para dar a volta por cima nos momentos maus e não embandeirar em arco quando as coisas me corriam bem. Quando me deparava com um problema que me ia ser desagradável ou deixar marcas para o futuro dizia para mim, cá no íntimo: passada a tempestade tudo volta ao que era ou então a vida continua por outro caminho e enfrentava a tempestade. Depois tudo passava e era como eu tinha imaginado; a normalidade regressava ou seguia por outro caminho. Os acontecimentos positivos eram encarados com o mesmo fair play: passada a euforia a vida continuava...
Os acontecimentos que dão um sabor especial à vida nunca foram para mim momentos de ruptura, antes elos de continuidade. Com esta forma de estar na vida para mim não há grandes euforias, nem tragédias. É verdade que esta forma de olhar a vida me tornou um pouco chato. Não arrebato corações, não sou o amigo que todos querem por perto ou o aglutinador das atenções. Sou por natureza um low profile que sem dar nas vistas vai fazendo o seu percurso de vida: simples, calmo, repleto de uma felicidade serena que para muitos pode parecer tristonha, mas a verdade é que com todos os contratempos que tive desde que minha mãe me pariu (basta dizer que nasci com deficiência congénita suficientemente grave para me impedir de levar uma vida normal, não tivesse eu tido uma mãe fantástica que nunca se conformou com o facto), que minha vida tem sido regada com uma felicidade tranquila e conseguida com a persistência de quem acredita que a felicidade brota de dentro de nós e não se busca do lado de fora. Assim foi desde que me conheço como gente e penso que assim será por muitos e longos anos.

Sem comentários: