«A abstenção vai ser fatal no referendo sobre o aborto.»
D. José Policarpo
«Os governos democráticos são por natureza fracos porque estão muito dependentes das eleições que se seguem e das correntes de opinião. No nosso caso, tenho acompanhado com interesse a determinação em governar, em estudar os problemas e fazer reformas estruturais. É normal que quem se lança neste caminho, sei-o por experiência noutros sectores, corre o risco de não acertar sempre. Mas tenho visto com simpatia a determinação em governar, em tomar decisões, em não ficar dependente da plateia e do que pode acontecer amanhã em termos de opinião pública. Não quero com isto dar uma bênção total, até porque não estou capacitado para o fazer».
D. José Policarpo
Nunca imaginei que tivesse opiniões tão próximas de um Cardeal-patriarca da Igreja Católica. Mas a verdade é que estamos de acordo neste dois temas . Uma recente sondagem demonstra que cerca de 50% dos homens portugueses não irão votar no referendo. Já foi assim no primeiro referendo sobre o tema. Os homens alhearam-se da votação e menos de metade dos eleitores foi às urnas.
O governo insiste que é desta forma que a se deve validar a nova lei. Está no seu direito. Só quero ver a cara de Sócrates quando na noite do referendo tiver que admitir o fracasso da sua teimosia. Só não estou seguro que o resultado venha a ser a vitória do não. Creio que apesar do desinteresse os portugueses evoluiram na sua opinião sobre o tema. Mesmo que não se chegue aos 50% de votantes tenho esperança que uma maioria dentro da minoria facilite a vida aos deputados, para que depois possam aprovar a lei no parlamento, e pôr ponto final na novela portuguesa da despenalização do aborto.
Sobre a primeira opinião só exijo que o governo não comece a governar a pensar nas próximas eleições. Aliás penso que as ganhará se prosseguir na sua política reformista, porque os portugueses já se deram conta que é a única forma de fazer deste país uma nação orgulhosa de si própria. Governar para o voto será o caminho certo para ir parar à oposição.
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