segunda-feira, novembro 27, 2006

AI QUE SAUDADES DO SALAZAR!


Continua a resistir pelo país fora uma minoria de pessoas, bem parecidas e bem falantes, e julgam elas também, bem pensantes que por tudo e por nada evocam os bons tempos do saudoso Oliveira Salazar. Esta faixa da população que grita aqui d`el rei que se Salazar fosse vivo isto não era assim mantém uma lucidez deslumbrante pois têm consciência que o ditador só por obra e graça do Espírito Santo poderia ainda ser vivo. Estas pessoas, que por tudo e por nada sentem saudades dos tempos da velha senhora, são uns brincalhões porque na verdade eles não queriam que o sistema salazarista tivesse resistido até ao século XXI. Morreu em 1974. Paz à sua alma. Se tivesse resistido até hoje seriamos uma verdadeira anedota à escala mundial ( o que não quer dizer que, pelo mundo fora, não se riam de nós, mas por outras razões. Do mal ao menos) Sistemas semelhantes morreram até na América Latina e só resistem moribundos e furibundos por alguns recantos esquecidos do planeta. Estas pessoas não querem o regresso ao passado apenas se escandalizam com uma modernidade decadente, uma liberdade inconsciente, uma autoridade inexistente. na verdade a nossa sociedade começa a pisar o risco do bom senso e por alguma razão os mais conservadores começam a temer pela capacidade das novas gerações de levarem este país a bom porto, quando se apercebem que as actuais têm dificuldade em dar conta do recado.
Educar uma geração inteira com base em valores mais que duvidosos como os valores da sociedade actual não augura nada de bom. O materialismo selvagem que tudo ambiciona comprar, a liberdade sem responsabilidade que se promove nas nossas escolas e se consente na família, a razão do mais forte que se observa na rua só nos pode fazer pensar que precisamos de um pouco de ordem, respeito e autoridade para que tudo isto não descarrile mais cedo ou mais tarde.

Vem esta conversa a propósito de um senhor com pose, bem vestido e bem falante que, ao ver passar um homem trintão, de cabelo louro pintado a descair até aos ombros, face tratada, sem pelos e sobrancelhas aparadas, vestuário justo a deixar perceber as formas do corpo e um andar firme sobre uns ténis dourados soltou um sorriso de desaprovação e um: « Ai que saudades que eu tenho dos tempos em que o Salazar mandava nisto!»

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