
Pronto, já passou.
Nunca nada é tão mau como imaginamos, nem tão bom como desejamos!
O exame não foi tão doloroso como imaginei apesar de terem decidido não me sedar. Houve momento em que me apeteceu chamar todos os nomes ao médico espanhol que me introduziu a sonda com todo o carinho, não como se fosse um polla, mas antes como um espião coscuvilheiro que me espreitou as entranhas em busca do que eu não queria que ele encontrasse.
Deixem-me fazer um parêntesis para dizer que tenho tido boas experiências com os médicos espanhois que trabalham nos nossos hospitais. A maior parte dos profissionais de medicina portugueses deviam aprender com eles a falta de sobranceria em frente ao doente, que por norma consideram ignorante por isso não lhe comunicam em que consiste o seu problema de saúde ou como se processa o exame a que vão ser submetidos. Deviam aprender a tratar o paciente com humanismo, cordialidade e compaixão e não com a indiferença e alheamento que faz sentir que somos apenas mais um desgraçado a quem eles se dignam a minorar o sofrimento ou a melhorar a existência.
Numa consulta em que acompanhei um familiar havia um médico estagiário espanhol que assistia à consulta. O problema era hipertrofia da tiróide. Perguntei ao médico que me esclarecesse quais os sintomas e consequências do problema a que ele respondeu:« -Nada de importante, não tem importância!». Fiquei a olhar com cara de parvo para ele pensando: não me quer explicar porque é grave, não sabe explicar porque realmente é complicado ou pensa que eu não mereço a explicação? Pouco depois o médico teve que se ausentar do consultório e o espanhol virou-se para mim e disse: Não diga nada ao Dr. F, mas esta alteração da tiroide pode provocar alterações de comportamento, aumento de peso, problemas intestinais, abrandamento do ritmo cardíaco, etç...
Ora aí estava o que era difícil explicar ao Exmo Sr. Dr.
Regressando ao que interessa, depois de alguns uivos abafados, saídos do fundo da minha alma, que parecia estar a desintegrar-se, com aquele tubo enfiado até aos gargomilos a dar voltas no labirinto intestinal, em busca de algum terrorista escondido pronto a detonar um

Parece que era só aquele, malvado, filho único que me obrigou a passar por isto. Mas este momento vai repetir-se. Já está uma consulta marcada para Outubro que vai servir para marcar outro exame de acompanhamento. A consulta tem um nome original: consulta de pólipos. Eles querem saber, e eu também, se aquele anormal que retiraram tem o topete de voltar a dar as caras por lá!
1 comentário:
Tantos anos a levar no cu e agora preocupado com as dores de um tubinho, foda-se...
Paneleiros do caralho...
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