
O português está sempre de mala feita, preparado para dar o salto para um país onde se ganha rios de dinheiro fazendo o mesmo ou menos do que fazem no emprego que têm em Portugal. Não é difícil escutar conversas sobre conhecidos, amigos ou familiares que foram para Londres, para a Austrália ou aqui para a vizinha Espanha e estão quase ricos com o salário que lhes é pago. Emigrar é quase comprar um bilhete premiado da lotaria! Lá fora é que se ganha dinheiro a valer! Nestas conversas, raramente se comenta que para se juntar essa riqueza invejada é necessário abdicar de todos os luxos, dos copos ao fim-de-semana, do jantar fora, do café de esplanada, do cinema, etç. A vida de emigrante é famosa pela renúncia que induz aos prazeres diários para se juntar o indispensável à realização do sonho de uma vida: uma casa com piscina, um carro de gama alta, um negócio próprio... Cá deste lado, é verdade não se ganham fortunas, mas também não se abdica dos pequenos prazeres do dia a dia para junbtar uns cobres como se faz em Londres, onde nem o clima convida a sair de casa.
Fruto das dificuldades, reais, que sente quem trabalha em Portugal, ao primeiro anúncio de jornal, os nossos compatriotas pegam na trouxa, que está sempre pronta, e aí vão eles à procura do milagre do enriquecimento rápido, que só acontece no estrangeiro. Dependendo das suas fracas habilitações eles vão apanhar morangos ou azeitonas para Espanha, maçãs ou uvas para a França, como trolhas para a Alemanha, como empregados de mesa para a Suiça ou para Inglaterra... Um ou outro mais instruido lá consegue um emprego numa companhia aérea «low cost» ou noutro sector mais exigente em termos de formação académica.
Existem organizações que, sabendo do sangue emigrante que nos corre nas veias, estão preparadas para lhes arranjar grandes empregos pelo mundo fora. E como o pior cego é aquele que não quer ver, lá embarcam eles embevecidos pela sorte que lhes bateu à porta.
Nos últimos anos habituamo-nos a ouvir falar de imigrantes de leste explorados pelos próprios compatriotas. Ilegais, sem poderem recorrer às autoridades são enganados, roubados e abandonados sem dó nem piedade num país que não os quer. Ora o mesmo se tem vindo a passar com os nossos concidadãos em Espanha, na Holanda, em Inglaterra, na Alemanha e na Islandia só para mencionar os casos que me recordo de ouvir noticiar recentemente.
O «sonho americano» levou muitos açoreanos e continentais para terras do Canadá ao longo dos anos. Vivem naquele país perto de 500 mil nacionais. Nos anos mais recente entraram, pelas suas fronteiras, milhares deles de forma ilegal. O governo canadiano fechou os olhos durante muito tempo, mas a política mudou e muitos imigrantes que tentaram legalizar-se estão agora a ser convidados a abandonar o país. Se não o fizerem voluntáriamente serão escoltados pelas autoridades até aos aeroportos sem pena nem paixão. O governo canadiano tem centenas de lugares bloqueados nos voos com destino à Europa para o efeito. Os imigrantes que estão nesta situação não são apenas os portugueses como parece transparecer pelas notícias que correm. Todos os imigrantes a quem foi negada a legalização foram convidados a sair. E porque razão não foram legalizados? Em muitos casos porque a razão justificativa da presença em território canadiano era a ausência de liberdade religiosa ou perseguição política no país de origem! Ora, no que diz respeito aos portugueses vale dizer tudo sobre Portugal, mas dizer que foram para o Canadá por impossibilidade de professarem a sua religião ou por perseguição política é ultrajante para todos os portugueses. Felizmente as autoridades canadianas sabem que a justificação não é fundamentada e por isso os expulsa.
Já ouvi queixas por o governo não estar a auxiliar no repatriamento. É muito bem feito, diria eu friamente se não soubesse que muitos deles foram induzidos a mentir por conselheiros e advogados sem escrúpulos nem princípios. Não tiveram pejo em sujar o nome de Portugal e agora querem ajudas e subsídios?
Todo este processo é muito lusitano; não o da expulsão por parte do país que tentaram enganar, mas pela atitude de trafulha com que tentaram conseguir a desejada legalização. Sejam benvindos à mãe pátria que aqui está para receber os filhos pródigos que produz em dozes industriais.
Visitem: http://www.acores.com/a/imigrantes.html
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