terça-feira, março 21, 2006

DEIXAR DE SER UM PAIS DE MERDA!


Sou mais um dos portugueses que regularmente pensa para si ou diz em voz alta mal do seu país. «Que merda de país!», «Parece o terceiro mundo!», «Como é que querem que isto vá para a frente?» são expressões que os portugueses deixam cair quase diariamente quando confrontados com situações que pensam não deverem ocorrer em países do primeiro mundo. E os portugueses desejam mais que ninguém pertencer a um país do primeiro mundo.
O problema dos portugueses está muitas vezes na contribuição que dão para tornar Portugal um desses países. É um mal bem português considerar que o problema está sempre nos outros. Nós não, nós não podemos fazer grande coisa para mudar a realidade. Quem sou eu? uma simples formiguinha que nada pode fazer perante a grandiosidade do formigueiro. Começamos por empurrar a responsabilidade para os outros, e os outros são em primeiro lugar o Primeiro Ministro, depois o governo, de seguida os funcionários públicos superiores, de base, os patrões, os chefes, os colegas, os vizinhos, os primos e só no fim: EU!

Criticamos a falta de civismo dos outros: deitam papeis para o chão, deitam o lixo fora do contentor, não respeitam a fila, passam os semáforos vermelhos, não param nos Stops, incomodam os vizinhos à noite com a música alta, etç, etç. Nós nunca nos comportamos assim!
Durante anos convivi com alguém que com o maior das facilidades abria a janela do carro e deitava pela janela todo o lixo que tivesse nas mãos, da mesma forma que o Sousa Cintra fazia com as garrafas de água enquanto dava entrevistas pela a rádio, via telemóvel. Sempre que estava presente reprovava a atitude repreendendo com um comentário do género: se te ouço dizer que este país é uma miséria atiro-te pela janela a ti também! Passados vários anos a consciência cívica veio ao de cima e agora já não o faz, mas conheço muito boa gente que continua a contribuir para que as nossas ruas e estradas estejam cheis de lixo.

Portugal é um país rico culturalmente: tem muitos anos de História, tradições ancestrais, uma lingua que é das mais faladas do mundo, monumentos magníficos, escritores fantásticos, músicos fabulosos, pintores vanguardistas, mas são as tradições estrangeiras, os livros traduzidos, a música importada, os filmes americanos que consumimos como se fossem nossos!

Portugal é um país desenvolvido, mas não tanto como desejávamos. Não temos recursos naturais abundantes, não temos recursos energéticos baratos e ainda estamos longe de ter uma mão-de-obra qualificada que nos permita inovar e vender produtos tecnologicamente avançados em concorrência com o Japão, a Finlândia ou ou os U.S.A. e outros mais. Pior do que isso temos um povo que desvaloriza aquilo que produz. Prefere tudo o que vem de fora, basta que seja de marca!
Não percebemos que ao deixar os produtos made in Portugal nas prateleiras dos supermercados e das lojas estamos a empobrecer o país. Indirectamente estamos a condenar os nossos compatriotas, os nossos vizinhos, amigos e os próprios filhos ao desemprego. Comprar produtos e serviços importados é enviar dinheiro para fora do país, é enriquecer os outros e condenar-nos ao subdesenvolvimento.

Quando gasto dinheiro prefiro vê-lo sair para os cofres das empresas nacionais. Opto por comprar por ordem de preferência produtos de marcas nacionais fabricados em Portugal; depois produtos de marca estrangeira produzidos em Portugal; só posteriormente de marcas portuguesas produzidos no estrangeiro e finalmente de marcas estrangeiras feitos lá fora. Desta forma contribuo para que o valor acrescentado dos produtos comprados fique em território nacional sempre que possível. Entre comprar Salsa e Lacoste, compro Salsa. Entre a Quebramar e Tifosi prefiro a primeira. Escolho a Compal à Parmalat, a Mimosa à Danone, A TAP à Air France, a Optimos à Vodafone, etç, etç. Só não prefiro a Auto jardim à Europcar por razões óbvias.
Desta forma sinto que contribuo para enriquecer o país, aumentando o seu P.I.B., mantendo postos de trabalho, enfim contribuindo para que cada vez mais o nosso país pertença ao grupo dos países desenvolvidos.

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