
O dia 1 de Fevereiro de 2006 vai ficar marcado na memória de muitos portugueses como o dia que marcou o início de uma longa caminhada que levará, mais cedo ou mais tarde, à mudança da legislação deste país sobre o casamento, permitindo aos casais homossexuais unirem as suas vida pelo registo, nas conservatórias, da sua decisão de unirem as suas vidas legalmente, com todos os direitos e deveres que esse contrato proporciona. A tentativa de casamento entre a Teresa e a Lena vai, seguramente , ser indeferido amanhã pelo conservador a quem foi apresentado o processo. Não tem alternativa; depois das palavras do Ministro da Justiça, com quem eu estou de acordo. Mas todos sabíamos que este era apenas o primeiro passo. Ninguém comprou foguetes para festejar, pois não?
Aquelas duas corajosas mulheres conseguiram por o país a discutir o tema, contribuindo para esclarecer mentes, acicatar preconceitos ou iluminar espíritos. A repercussão mediática foi monumental. Não houve televisão, rádio ou jornal que não desse destaque à notícia. A TSF fez ao longo do dia dois foruns de discussão do tema. A SIC abriu o seu noticiário das 20 horas com a reportagem do acontecimento, o DN e o Público tinham chamadas de 1ª página e desenvolviam o tema no seu interior. Os média estrangeiros fizeram a notícia correr mundo. Os políticos não conseguiram contornar a problemática e tiveram que se pronunciar a favor ou contra ou talvez! Os constitucionalistas deram opiniões a favor e contra conforme a inclinação política. O BE e a Juventude Socialista apressaram-se a anunciar que vão levar novamente o assunto a discussão na Assembleia da Républica. A polémica era um factor essencial para que o desfecho deste processo venha a ser o que pretendemos e ela está lançada.
Não podemos esquecer que foi desta forma que os gays espanhois conseguiram empurrar o governo para a aprovação da lei que já permitiu que mais de 400 casais homossexuais se casassem, no país vizinho, até ao presente. Na África do Sul o processo foi semelhante, com a diferença que chegou ao tribunal constitucional que se pronunciou pelo direito dos homossexuais ao casamento. Vamos ver se os nossos políticos têm coragem de aprovar uma lei, como fez Zapatero em Espanha, ou vão deixar que sejam os juízes a decidir a favor ou contra, nada é seguro neste processo. O nosso país tem o mau hábito de não pegar o touro pelos cornos. Deixa tudo por meias tintas, falta a coragem de chocar de frente, de provocar cisões e fracturas. Todos querem ficar bem com deus e com o diabo. Este é um risco que este processo corre de acabar num «nim». Podemos chegar ao fim e tudo ficar como dantes, quartel general em Abrantes! Talvez se tenha de chegar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
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