segunda-feira, janeiro 23, 2006

ENCONTRO INESPERADO


Folheava eu, para encurtar o dia de trabalho monótono e solitário, uma dessas revistas que acompanham os jornais de fim de semana, quando os meus olhos pousaram sobre a imagem de um bolo de chocolate suportando uma chamussa de ameixas de Elvas e decorado com um raminho de hortelã. O inusitado da imagem chamou-me a atenção. Mentalmente degostei as iguarias, li de relance a receita.(A colinária só me fascina quando me sento diante do repasto!) Já passava os dedos pelos lábios ,para mudar de página, quando me lembrei de olhar a pequena fotografia do cozinheiro que me aumentara, subitamente, o apetite. Na pequena foto, pareceu-me reconhecer uma face vagamente familiar! Olhei com mais atenção e um sinal particular meu conhecido não enganava. Era ele: o chefe de cozinha. O tempo passou, a frescura dos 20 anos já desaparecera, mas o charme daquele sorriso sereno e terno ficara. Procurei na legenda o nome: lá estava, era ele.
Recuei quase duas dácadas e entrei num estudio acolhedor com janelas amplas para o verão algarvio. A cama onde me sentei tinha vista para as estrelas. Lindo! Apossou-se de mim uma leve nostalgia de tempos idos. Saudades de noites que não voltavam a casa. A meu lado estava um jovem caloroso, sensível e entusiasmado com o futuro. Não estivemos juntos muitas vezes, foram no entanto as suficientes para as guardar na memória com o carinho dos momentos que nos marcam a vida. Encontrei ali alguém que deixa vestigios por onde passa. Naquela idade o importante é sorver os dias com intensidade, a valorização dos afetos vem muito mais tarde...
Fica a recordação e o gostinho de ter privado com alguém que fez da sua vida exactamente aquilo que queria: ser um chefe de cozinha de renome internacional.

1 comentário:

Anónimo disse...

è fixe saber que alguém que passou pelas nossas vidas se deu bem na dele